A Unimed Belo Horizonte Cooperativa de Trabalho Médico (Unimed-BH) caminha na contramão da crise. Apesar de ter registrado um encolhimento de 5% na carteira de clientes em 2015, na comparação com 2014, a cooperativa, que representa a capital mineira e outros 33 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), espera encerrar 2016 com faturamento de quase R$ 4 bilhões, cerca de R$ 500 milhões a mais do que os R$ 3,6 bilhões registrados em 2015.

Entre as estratégias da Unimed-BH está a construção de um hospital em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O investimento na nova unidade hospitalar não foi informado, pois, segundo o diretor-presidente da Unimed-BH, Samuel Flam, o modelo de negócios ainda está sendo definido. “Nós entendemos que os hospitais da Unimed funcionam em forma de rede, inclusive com instituições parceiras. Então, nós não duplicamos estruturas. Fazemos, dentro da nossa necessidade, aquilo que irá atender bem o cliente. Estamos determinando o investimento e calculando, já que a etapa de definição do modelo da obra não foi concluída”, explicou. A expectativa é de que o hospital – o segundo da rede na cidade de Betim – tenha até 250 leitos, quase o triplo da estrutura oferecida na unidade já instalada naquele município.

Também está prevista a expansão das instalações do Hospital Unimed – Unidade Contorno, localizado em Santa Efigênia, na região Leste da Capital. “Um terreno ao lado da estrutura atual foi adquirido pela empresa”, revelou Flam. Além disso, a Maternidade Unimed, localizada no Grajaú, na região Oeste, também será ampliada. Inaugurada há mais de 10 anos, a unidade opera atualmente com cerca de 100 leitos. Ainda não há expectativa de quando as obras serão iniciadas.

O executivo, que participou ontem do evento Conexão Empresarial, realizado pela VB Comunicação, também falou sobre como a cooperativa, que completou 45 anos no início do mês, vem enfrentando a crise econômica pela qual passa o País. De acordo com Flam, reinvestir na empresa tem sido um importante diferencial. “A Unimed-BH é o único plano de saúde que investe na cidade. R$ 3,06 bilhões do faturamento de 2015 foram injetados nos nossos serviços de saúde. Além disso, mantemos investimentos em estruturas próprias, temos três grandes hospitais, uma maternidade, hospitais com pronto-socorro e centros de promoção à saúde. Acreditamos na sustentabilidade do nosso negócio”, afirmou.

A Unimed-BH está presente em Belo Horizonte e mais 33 cidades vizinhas. Ao todo, a cooperativa conta com 4 mil colaboradores diretos, 5,7 mil médicos cooperados, além de 366 hospitais, clínicas e laboratórios na rede assistencial, com unidades próprias e parceiras. No ano passado, a rede, que atende cerca de 1,2 milhão de clientes, realizou 8,1 milhões de consultas e 28,6 milhões de exames. No mesmo período, a receita da empresa foi de R$ 3,6 bilhões. Para 2016, o faturamento esperado gira em torno dos R$ 4 bilhões, aumento de quase 12%.

Carteira de clientes

– Conforme Flam, a instabilidade econômica brasileira, que culminou no aumento do número de desempregados, refletiu também nos negócios da cooperativa. “Quando se fala em queda de PIB (Produto Interno Bruto), fala-se também em queda da atividade econômica e, consequentemente, da empregabilidade. Quando as empresas, nesse momento, reduzem seus efetivos, elas, literalmente, reduzem a quantidade de funcionários que estarão nos planos de saúde. Então a Unimed acompanha nos seus planos empresariais o que ocorre com o PIB nacional”, disse.

Ainda de acordo com o diretor-presidente da Unimed-BH, houve uma redução de 5% no número de planos empresariais mantidos na Unimed BH, o equivalente a 60 mil contratos cancelados. Atualmente, 80% das contratações da cooperativa são feitas por empresas e somente 20% correspondem a planos individuais.

Dados recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde, mostram que houve queda em todos os tipos de contratações de assistência médica, entre 2014 e 2015, sendo o modelo de plano coletivo empresarial o que registrou maior redução, passando de 33,5 milhões de beneficiários para 33,1 milhões de clientes. De acordo com a ANS, 67% das contratações em território nacional correspondem a planos empresariais e somente 19% são feitas individualmente ou para famílias.