O ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu ontem que o número de casos de dengue, zika e chikungunya neste ano deva ultrapassar os 2,175 milhões registrados em 2016. De acordo com ele, a estimativa é a de que as infecções causadas pelo vírus da dengue e da zika se estabilizem e de que haja um aumento de pacientes atingidos pela chikungunya. No ano passado, foram 271 mil casos.

A previsão de uma tríplice epidemia no País, causada pelo mosquito Aedes aegypti, se confirmou. Boletim divulgado ontem pelo Ministério da Saúde mostra que, em 2016, o Brasil conviveu com surtos simultâneos de dengue, chikungunya e zika. Ao todo, foram 2,175 milhões de casos de infecções, com 846 mortes. Chama a atenção o expressivo número de óbitos provocados por chikungunya.

Durante o ano passado, 196 pessoas morreram em razão da infecção, 14 vezes mais do que o registrado em 2015, com 14 vítimas. Quando o vírus foi confirmado no País, autoridades sanitárias afirmavam que a doença trazia pouco risco de morte. A zika, outra doença também que era tida como “prima fraca” da dengue, provocou 8 mortes. O boletim indica que a epidemia de dengue ocorreu em todas as regiões do País.

Os Estados mais afetados foram Minas (com 2.531 casos a cada 100 mil habitantes), Goiás (com 1.845 casos a cada 100 mil habitantes), Mato Grosso do Sul (com 1.684 casos a cada 100 mil habitantes) e Rio Grande do Norte (com 1.670 casos a cada 100 mil habitantes).

A chikungunya afetou sobretudo o Nordeste. Sete de nove Estados apresentaram níveis considerados muito altos, com incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes. Para integrantes do Ministério da Saúde, no entanto, o receio é de que agora o vírus afete de forma mais intensa a Região Sudeste.

Em 2016, a chikungunya ocorreu de forma mais intensa no Rio. Foram 108 casos a cada 100 mil habitantes. Zika. Já os casos de zika no Brasil foram em menor número: 215.319. A maior incidência foi em Mato Grosso (671 casos por 100 mil), Rio de Janeiro (414 casos por 100 mil) e Bahia (340 por 100 mil). A infecção por zika em grávidas pode levar a doenças neurológicas nos fetos, como a microcefalia.