A chefe de Gabinete da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Lenise Secchin, e o diretor-adjunto de Normas e Habilitação dos Produtos, Mauricio Nunes, representaram a reguladora no debate sobre Saúde Suplementar promovido no dia 25/09 pelo jornal Correio Braziliense.

O evento foi aberto pelo ministro da Saúde Interino, Joao Gabbardo dos Reis, que abordou ações que o Ministério vem fazendo, como o aumento do investimento na Atenção Primária, a substituição do programa Mais Médicos pelo programa Médicos pelo Brasil e a implementação do Movimento Vacina Brasil, que objetiva reverter a queda nas coberturas vacinais. “Aproveito para provocar a Agência e as operadoras para que se envolvam mais nessa questão da vacinação, fazendo parcerias com o Ministério para vacinar seus beneficiários”, sugeriu. O ministro interino também falou sobre aumento da judicialização e de custos no setor de saúde, destacando a necessidade de mudança no modelo de remuneração praticado hoje tanto na saúde pública, quanto na suplementar.

Em seguida, Emmanuel Lacerda, gerente executivo da CNI, abriu o painel “Planos de saúde: mais cuidados, mais saúde. Bom para todos”, composto também pela chefe de Gabinete da ANS, Lenise Secchin, pela diretora-executiva da Fenasaúde, Vera Valente, e pelo representante da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Andrey Freitas.

Lacerda afirmou que “a ANS tem sido uma parceira fundamental para ampliação do debate da gestão da saúde e da sustentabilidade, tendo contribuído fortemente para ampliar o protagonismo dos contratantes nessa discussão”. Ele abordou ainda o impacto da saúde para as empresas e as pessoas, mencionando a escalada de custos e a incorporação de tecnologias. Vera Valente defendeu que é preciso modernizar a legislação e ampliar acesso aos planos.

Lenise Secchin falou sobre o contexto histórico da saúde suplementar e os principais avanços da regulamentação do setor: “Há 20 anos, havia limite de dias de internação em UTI. Avançamos em termos de garantias e direitos ao consumidor e ainda temos muito a avançar, como a mudança de cultura de assistência e gestão da saúde, com a ampliação dos programas de promoção e prevenção, a integração entre os setores público e privado e o foco no valor em saúde, nos resultados importantes para o paciente”. Representando a Senacom, Andrey Freitas falou que a saúde não pode ser tratada em horizontes curtos: “As discussões devem levar a construções que sejam válidas pelos menos nos próximos 50 anos”.

O editor-chefe do Correio Braziliense, Vicente Nunes, mediou os painéis e leu as perguntas elaboradas pela plateia aos participantes.

Na segunda parte do evento, aconteceu o painel “Prevenção e Longevidade. Quanto mais se cuidar da saúde desde cedo, sobretudo num país com envelhecimento rápido com o Brasil, todos ganham. Consumidores e operadoras”.

Edgar Nunes Moraes, médico e consultor do Conselho Nacional de Secretários de Saúde na área de saúde do idoso alertou para o que chamou de “tsunami de idosos” por conta do rápido envelhecimento populacional. Ele falou da importância de se identificar idosos frágeis e robustos e, assim, determinar tratamentos específicos para cada perfil. “O idoso não é um adulto de cabelo branco. É preciso tratá-lo da maneira adequada e evitar a polifarmácia, que é o uso de 5 ou mais remédios por dia”.

Diretor-adjunto da ANS, Mauricio Nunes, esclareceu o funcionamento de um sistema mutualista, onde todos pagam para alguns utilizarem os procedimentos, e destacou a mudança do perfil no Brasil, com queda de fecundidade e o aumento da expectativa de vida. “O aumento dos custos em saúde e o envelhecimento da população exigem mudanças urgentes. Temos conhecido importantes iniciativas de operadoras na coordenação de cuidado, com melhoria de qualidade de vida e custos mais baixos. Esses casos precisam ser multiplicados”, destacou.

Na sequência, Rodrigo Tanus, da Livon Saúde, apresentou resultados de uma pesquisa que sua empresa fez e que originou um modelo para operacionalizar organizações a entrega de valor e solucionar os principais problemas que elevam o custo da saúde.

O superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, José Cechin, mostrou um panorama do envelhecimento em diversos países, comparando os gastos em saúde per capita: “No Brasil, nós envelhecemos, mas não fazemos isso bem. Mas há como melhorar”, salientou.

O Seminário Correio Debate Saúde Suplementar:  Consumo e Sustentabilidade foi transmitido ao vivo e a gravação pode ser assistida pela página do Correio Braziliense no Facebook.