A próxima terça-feira será um dia decisivo para a Unimed-Rio. Empossada há um mês, a nova diretoria convocou uma assembleia que tem o propósito específico de discutir o aporte de R$ 500 milhões à empresa pelos 5.400 médicos cooperados. Segundo a companhia, sob direção fiscal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde o ano passado, atualmente o passivo (ou seja, dívidas e outros compromissos) totalizam R$ 1,9 bilhão, já o ativo é de R$ 1 bilhão.

— O aporte pode ser feito à vista ou parcelado. Achamos que o mais correto seria que o valor fosse calculado de acordo com a produção do cooperado, mas a assembleia é que vai decidir — diz o diretor Financeiro da Unimed-Rio, William Galvão.

Ele destaca que o aporte pagará parte da dívida e possibilitará que a Unimed-Rio continue funcionando:

— Se houver um processo de liquidação, a dívida vai ser cobrada por inteiro e teremos que parar de operar. Mas não tenho dúvida de que a empresa é viável. Tem uma carteira de quase um milhão de vidas e receita anual de R$ 5 bilhões.

Galvão aponta sinais de melhora da companhia como a liberação, pela ANS, dos planos que estavam com as vendas suspensas e os acordos firmados com a Federação do Estado do Rio da Unimed, para pagamento das demais cooperativas, e com o Hospital São José, que retomará gradualmente o atendimento a usuários da empresa já na semana que vem.

Líder do movimento 3ª Via, a médica Ana Clara Sande , no entanto, afirma que, contrariamente ao que se poderia esperar, nem de longe a destituição da antiga diretoria da Unimed-Rio e a eleição de um novo grupo para o comando da empresa, em agosto, colocou fim à crise política que se arrasta na cooperativa há quatro anos e que piora a cada dia sua situação financeira.

Ela explica que, apesar de validadas por auditoria externa e com parecer favorável à aprovação pelo Conselho Fiscal de 2015 (que era oposição à diretoria), as contas de 2014 e 2015 da cooperativa, por motivo político, não foram aprovadas pela assembleia. Em respeito à lei 5.764, essas contas devem ser apresentadas e aprovadas em Assembleia Ordinária. Após aprovação, deve-se ratear as perdas seguindo critério de proporcionalidade ao valor ganho por cada cooperado. Além disso, diz a líder da oposição, para o aporte de capital, é necessário alterar o Estatuto da Cooperativa em assembleia específica.

— O cooperado deve ser alertado para o fato de que, mesmo aportando capital, continuará devendo as perdas dos exercícios anteriores.

Segundo a médica, ainda não se percebe clareza na tomada de decisões da nova diretoria, que, afirma, aliou-se a antigos membros do comando anterior da cooperativa.

— Espera-se que a atual gestão siga o rito obrigatório e corrija a forma intempestiva e política com que vem conduzindo a Unimed-Rio, já que questionamentos jurídicos por parte dos cooperados podem agravar, ainda mais, o estado falimentar da empresa.