Os planos de saúde continuam perdendo clientes. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), de dezembro (2018) a março, deste ano, as operadoras perderam um total de 212.595 beneficiários. Para mudar essa realidade, gestão e organização da atenção à saúde dos usuários são medidas urgentes que podem garantir sustentabilidade, segundo a especialista em Saúde Suplementar, Luciana Rodriguez Teixeira de Carvalho.

“O maior problema é que as Operadoras de Planos de Saúde permanecem pautadas na fragmentação de seus serviços e programas, de suas ações e de práticas clínicas pouco definidas, o que vem a ocasionar discrepância entre a oferta de serviços e as reais necessidades de atenção ao cliente”, destaca Luciana.

Estudos apontam que os custos do benefício de assistência médica fornecido pelos empregadores aumentem, ainda mais, em 2019, de acordo com uma pesquisa realizada pela Willis Towers Watson envolvendo seguradoras, que atuam no segmento de saúde. O alto custo da tecnologia médica, o uso excessivo e a prescrição exagerada de serviços são os principais responsáveis por esse aumento. De acordo com o levantamento da Global Medical Trends 2019, as seguradoras de saúde estão projetando, para 2019, um aumento de 7,6% do custo médico global, um aumento pouco maior que os 7,1% de 2018. Para o Brasil, esse índice deve ser de 15,3%, representando quase quatro vezes a taxa geral de inflação.

Para a especialista, o mercado precisa investir em uma gestão de cuidado do seu cliente por meio de uma rede organizada, que permite o acompanhamento desde o seu acolhimento até a sua reabilitação final. “Esse é o único caminho possível de se alcançar o que se almeja. É preciso estabelecer fluxos de atendimentos assistenciais seguros e garantidos ao seu cliente. Pensemos em uma linha de trem com suas estações interligadas e bem monitoradas”, avalia Luciana.

Doutora em Bioética pela UNB, Luciana Rodriguez Teixeira de Carvalho ressalta que a solução passa pela reinvenção das atuais estruturas implementadas, além da alteração de fluxos e processos. “É preciso construir uma rede específica para atender seus clientes definindo as ações e os serviços que devem ser desenvolvidos nos diferentes pontos de atenção de uma rede considerando os três níveis de atenção (primário, secundário e terciário) tornando-se efetiva o cumprimento da linha do cuidado”.

“Outro ponto que cabe destacar é a necessidade de se estabelecer protocolos baseados em evidências, que é o conjunto de atos assistenciais pensados e validados para resolver determinado problema de saúde do cliente”, diz Luciana.

Em relação as linhas de cuidados estabelecidas, de acordo com a Dra. Luciana, as ações de gestão da assistência devem atuar centradas, exclusivamente, nas necessidades dos seus clientes e respeitando suas peculiaridades: “Para cada morbidade há a definição da modalidade de atendimento específico a oferecer, bem como os procedimentos necessários e ratificados seja para prevenir, detectar ou tratar precocemente. O cumprimento das linhas do cuidado serve, basicamente, como um roteiro a seguir para orientar os profissionais de saúde os tornando, inclusive, mais eficientes no controle e no tratamento das doenças, além dos pontos de atenção que são corresponsáveis no processo assistencial”.

Luciana encerra reforçando a importância de um monitoramento eficaz para garantir referências qualificadas entre a rede estabelecida. “É preciso estabelecer todo o cuidado por meio de fluxos na rede, seja de apoio diagnóstico e terapêutico ou dos serviços de urgência, emergência e hospitalares”, finaliza.