Depois de 14 meses consecutivos de queda, o número de beneficiários de planos de saúde voltou a registrar, em agosto, uma leve alta, informa a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com os dados atualizados pela agência reguladora, no mês passado, foram contabilizados 48.347.967 consumidores em planos médico-hospitalares, o que representa um aumento de 32.148 beneficiários em relação ao mês anterior. Desse total, 9.500.745 eram de planos individuais, 32.015.245 de planos coletivos empresariais; 6.530.284 de planos coletivos por adesão; 10.242 de planos coletivos não identificados; e 259.303 não identificados.

No caso dos planos exclusivamente odontológicos, o total em agosto foi de 22.287.604 planos, um crescimento de 243.221 em relação a julho, quando foram contabilizados 22.287.604 planos.

Solange Beatriz Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), acredita no processo de estabilização da economia para que a saúde suplementar comece a registrar o retorno do equilíbrio, à medida que os beneficiários recuperarem seus empregos e poder aquisitivo.

– A partir deste cenário, os números do setor podem se elevar com a retomada do desenvolvimento do país. Atualmente, aproximadamente 66% dos vínculos contratuais são de coletivos empresariais. O segmento, portanto, está muito associado ao comportamento da economia, à geração de emprego formal e renda – ressalta a executiva.

A ANS também atualizou em seu portal na internet os dados econômico-financeiros das operadoras de planos de saúde (receitas e despesas) referentes ao segundo trimestre de 2016. De acordo com os dados informados pelas empresas, a receita de contraprestações (pagamento pelo contratante de plano de saúde à operadora para garantir a prestação dos serviços) teve um aumento de 12,3% no primeiro semestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 77.390.467.265. Já as despesas assistenciais cresceram 13,2% no comparativo dos dois períodos, totalizando R$ 65.139.241.272. As despesas administrativas foram de R$ 8.636.377.565.

Ou seja: as despesas assistenciais continuam a crescer, historicamente, em ritmo mais acelerado do que as receitas, alerta a presidente da FenaSaúde. Segundo Solange Beatriz, no Brasil, a inflação médica tem alcançado, em média, patamar duas vezes superior ao indicador que registra os demais preços da economia. Entre 2007 e 2016, os gastos per capita com saúde no Brasil cresceram 158,74%, enquanto a variação do IPCA foi de 74,74% no mesmo período.

Na avaliação da presidente da FenaSaúde, o momento econômico só acentua os problemas estruturais do setor, que implicam no aumento dos custos da assistência à saúde privada.

“Fatores como o aumento da frequência de uso dos recursos médicos estimulado pelos próprios prestadores de serviço, que, no modelo vigente no Brasil, são remunerados por quantidade de procedimentos; preços elevados de materiais e medicamentos; incorporação de procedimentos obrigatórios ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, como é feita hoje, sem a análise crítica da relação custo-benefício; e desperdícios precisam ser amplamente debatidos pela sociedade para viabilizar a sustentabilidade da saúde suplementar”, conclui Solange.