Em comparação com outros países da América Latina, o Brasil tem a segunda maior alta dos custos médicos prevista para este ano, atrás apenas da Argentina, segundo pesquisa internacional da consultoria Mercer Marsh Benefícios.

A inflação médica de 18,6% projetada para o País ficará atrás apenas Argentina, onde deve chegar a 33,3% em 2016.

O terceiro país da região com maior índice é o México, com 11,0%. Em quarta posição ficará Panamá, com 10,5%. O estudo foi realizado no primeiro semestre deste ano, em 49 países, e ouviu 180 seguradoras na América Latina, América do Norte, Ásia, Oriente Médio.

No Brasil, o aumento nos custos deve ser mais que o dobro da inflação oficial (IPCA) – a previsão mais recente do Boletim Focus para este ano é de 7%.

“O movimento de aumento nos custos médicos é decorrente do envelhecimento da população, dos avanços tecnológicos e novos tratamentos. São fatores que contribuem para o aumento de custos acima da inflação econômica, o que chamamos de inflação médica. Em média, a taxa é três vezes maior que a geral da economia dos países”, explica Renato Cassinelli, diretor para a América Latina e Caribe.

Impactos nos planos de saúde para funcionários

Na América Latina, a inflação médica já representa o segundo maior custo na folha de pagamento das empresas, tendo em vista os reajustes dos prêmios, que superam até o aumento da massa salarial. Uma pesquisa realizada pela companhia no Brasil com 513 empresas multinacionais e nacionais, em 2015, revelou que as empresas tiveram um aumento médio de 14,8% nos custos de planos de saúde para funcionários.

O custo médio do benefício por funcionário havia saído de R$ 196,17, em 2014, para R$ 225, 23 naquele ano. Com o avanço, os gastos com planos de saúde passaram a representar o equivalente a 11,54% dos gastos das empresas com a folha de pagamentos. Em 2012, o índice representava o equivalente a 10,38% da folha das organizações pesquisadas.

O alto índice de utilização dos planos de saúde, também é apontado pelo estudo como um impacto nos custos da assistência médica para os funcionários. “Ainda não há nas empresas a cultura da promoção e prevenção. Os programas de saúde ainda são focados nas ações curativas”, afirma.

Devido à pressão dos custos, muitas empresas começam a reduzir os benefícios dos planos empresariais. “As empresas resistem para tomar essa medida, mas com o momento adverso da econômica e a alta dos custos médicos, muitas vezes não têm outra alternativa”, diz o executivo.

Outras medidas das empresas para controlar os custos, tem sido a implantação do sistema de coparticipação. Na mesma pesquisa de 2015, foi detectada estratégias distintas das companhias na hora de formatar pacotes de benefícios aos funcionários. Em relação ao benefício saúde, 51% das empresas pesquisadas dividem com os funcionários o pagamento do custo mensal fixo dos planos de saúde, arcando com 78% do valor. E os empregados com 22% do custo do convênio.