A crise econômica derrubou o número de brasileiros que têm plano de saúde. Mais de 160 mil segurados perderam essa cobertura. Só que, mesmo assim, com menos gente com plano de saúde, o volume de queixas dos clientes cresceu.

Em apenas um ano, mais de 164 mil planos de assistência médica, principalmente aqueles oferecidos por empresas a seus funcionários, foram cancelados em todo o Brasil. Apesar da redução na base de clientes, as operadoras de saúde registraram, no mesmo período, mais reclamações. Um aumento de 9%.

Para a advogada Juliana Sbragia, especializada na área de saúde, a principal causa da queda no número de coberturas em planos empresariais é a crise econômica. Ela diz que o aumento das queixas é provocado por problemas bem conhecidos entre os usuários dos planos. “As operadoras continuam negando cobertura de tratamentos essenciais para os pacientes, medicamentos e cirurgias, continuam aplicando reajustes abusivos, os pacientes que precisam de um tratamento emergencial que foi negado têm que buscar a Justiça com um pedido de liminar”, orienta a advogada.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar registrou ao todo 72 mil reclamações. Na maioria dos casos, por procedimentos não cobertos pelos planos.

Pernambuco é o estado que lidera o ranking de reclamações, seguido do Distrito Federal, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. No Recife, o empresário Fernando Costa entrou na Justiça contra o plano de saúde que usa há 25 anos. A empresa se recusou a cobrir os custos de uma lente para uma cirurgia de catarata, de R$ 8,4 mil. O plano queria pagar menos. E só ofereceu o ressarcimento de todo o valor quando Fernando acionou a empresa na Justiça. “Estou aguardando a decisão judicial. Eu estava pagando por uma coisa que, na hora que eu fui precisar, não me foi atendido”, diz Fernando. Em outra disputa na Justiça, Fernando também conseguiu reduzir o valor da mensalidade de R$ 4 mil para R$ 1,69 mil.

Em São Paulo, o maior volume de reclamações foi de ex-clientes da Unimed Paulistana. Em setembro, a ANS decretou a alienação compulsória da carteira de beneficiários da operadora.
Segundo o diretor-adjunto de Fiscalização da agência, Suriêtte Apolinário dos Santos, a maioria das reclamações recebidas contra as operadoras em todo Brasil foi resolvida. “Em 86% dos casos, a ANS conseguiu dar ao beneficiário solução de um problema de uma maneira rápida por meio da nossa mediação de conflitos”, diz o diretor.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar – Fenasaúde – disse que um dos motivos para o aumento de reclamações dos clientes foi a transferência compulsória dos clientes da Unimed Paulistana para outras operadoras. A empresa foi punida porque não atendeu às exigências da ANS.

*Com informações de G1