Os custos dos planos médicos pagos pelos empregadores devem subir, em todo o mundo, quase 8% em 2019, superando em muito a média da inflação geral de quase 3%. Essa é a expectativa, de acordo com o Relatório Tendências Globais dos Custos de Saúde 2019, divulgado pela Aon, empresa global líder de serviços profissionais, que oferece ampla gama de soluções em riscos, previdência e saúde.

O aumento médio esperado antes das mudanças previstas nos custos médicos e farmacêuticos para planos médicos em 2019, patrocinados pelo empregador, será de 7,8%. Esta taxa é ligeiramente menor do que os 8,4% em 2018, devido às medidas de contenção de custos, aquisição mais restritiva de produtos médicos, novas iniciativas de melhoria da saúde e taxas mais baixas de inflação projetadas mundialmente.

“Embora as tendências dos custos médicos de 2019 sejam as mais baixas se comparada aos anos anteriores, ainda são extremamente altas. Esperamos uma escalada contínua de custos devido ao envelhecimento da população global, maus hábitos de vida em países emergentes, mudança de custos de programas sociais de saúde e aumento da prevalência e utilização de planos de saúde patrocinados pelo empregador em muitos países”, comenta Wil Gaitan, vice-presidente sênior e consultor atuário global da Aon.

As tendências globais dos custos de saúde projetadas variam significativamente por região. Os países das regiões do Oriente Médio/África e América Latina vão experimentar uma taxa anual de tendências de custos médicos maior se comparada com qualquer outra região, com 13,7% e 13,2%, respectivamente. Em contrapartida, a Europa e a América do Norte têm projeções de aumento de um único dígito, com a Europa observando a menor taxa de aumento, com 5,1%.

“Apesar das reduções, os números para a América Latina e Caribe continuam muito altos. Em 2019, estima-se que a taxa anual geral de inflação dessa região seja de 4,7%. Os três países com as maiores variações são Venezuela, Argentina e Brasil, com 100.000%, 25% e 17%, respectivamente.”, aponta Nicolás Jiménez, Líder de Analytics da Aon na América Latina.

Hábitos de saúde ruins são os principais responsáveis pelo aumento de custos

O relatório da Aon confirmou o crescente impacto das doenças não transmissíveis em todo o mundo sobre os custos dos cuidados de saúde. Câncer e doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, diabetes e problemas respiratórios, foram as condições de saúde mais prevalentes que impulsionaram as despesas com saúde na América Latina. O relatório da Aon também confirma a crescente incidência mundial de riscos relacionados a hábitos pessoais insalubres – como pressão alta, colesterol alto, falta de atividade física, má nutrição e obesidade.

“Alguns dos fatores de risco em todo o mundo facilitam o aparecimento de condições crônicas na população. Isso gera tratamentos de alto custo que resultam em aumentos significativos de longo prazo nas despesas médicas”, analisa Tim Nimmer, Atuário-Chefe de Saúde da Aon. “As empresas devem ter uma maior liderança em gestão de saúde, motivando seus funcionários e famílias a assumirem um papel mais ativo na gestão de sua saúde, participando de atividades saudáveis e bem-estar, cuidando proativamente e tratando o surgimento de qualquer condição crônica.”, complementa.

Estratégias do empregador para diminuir os custos médicos

Para mitigar os custos, o relatório da Aon revela que as empresas continuam a usar estratégias tradicionais, como ajustes no desenho do benefício saúde, iniciativas para controlar o uso excessivo dos planos e a negociação dos reajustes dos prêmios com as seguradoras e operadoras. O relatório também revela que os empregadores estão sendo proativos na criação de programas para identificar e controlar as condições crônicas nos estágios iniciais da doença, como testes diagnósticos, bem como programas de prevenção que incentivam e encorajam a adoção de uma alimentação saudável e a prática de atividade física.

Essas estratégias variam de acordo com a região. Por exemplo, as estratégias para a contenção de custos são as mais prevalentes na América do Norte, Oriente Médio e África. Entretanto, as iniciativas de bem-estar, como a detecção de riscos e educação em saúde, assim como estratégias preventivas, como a vacinação, são as mais prevalentes na Europa, Ásia-Pacífico e América Latina.

“Também estamos vendo o surgimento de dados e informações mais sofisticadas e amplamente comparáveis em diversos países fora dos EUA. Essa informação é fundamental para que os empregadores definam e priorizem suas estratégias de intervenções”, observou Francois Choquette, Líder de Global Benefits na Aon.

“Um bom ponto de partida para os empregadores começarem a enfrentar esses desafios é a otimização do desenho do plano, a geração de estratégias financeiras e mecanismos assistenciais para o controle de seus planos médicos. A solução estrutural a longo prazo é promover ativamente um ambiente de trabalho saudável, a partir de um robusto benefício de saúde para todos os funcionários da empresa e suas famílias”, finaliza.