A diferença entre a inflação médica e a inflação geral tende a cair 0,1 ponto percentual em 2018. É o que diz o Relatório Global de Tendências Médicas, realizado pela consultoria de benefícios e capital humano Aon. Apesar da queda entre as taxas, o estudo também prevê que os custos médicos globais deverão aumentar.

A projeção é de que a inflação médica global seja de aproximadamente 8,4% em 2018, quase três vezes mais do que a inflação geral, que representa 3,1%. Comparado com 2017, os dois valores eram 0,2 e 0,3 pontos percentuais mais baixos, de 8,2% e 2,8%, respectivamente.

“Embora a diferença entre os indicadores tenha a tendência a diminuir, tanto a inflação médica quanto a geral continuarão a aumentar. Alguns fatores como os avanços tecnológicos, a judicialização, desperdícios na utilização dos planos, fraudes e o envelhecimento da população, são os principais motivos da escalada dos custos da saúde”, explica Rafaella Matioli, diretora de Consultoria de Saúde e Benefícios da Aon Brasil.

Neste ano, os índices de inflação médica devem permanecer mais elevados na América Latina do que no resto do mundo, chegando a 13,9%. As únicas regiões com taxas médias mais altas na saúde são Oriente Médio e África, com 15,3%. Em contrapartida, América do Norte e Europa vão apresentar um pequeno aumento nas taxas de cada região, ficando com 6,9% e 5,8%, respectivamente. Já a Ásia manteve o mesmo percentual apresentado em 2017, de 8,9%.

Mesmo com essas variações, a previsão é que as regiões ultrapassem a média regional de inflação médica em cerca de quatro pontos percentuais. De acordo com o relatório, as diferenças entre a média mundial de inflação médica e as taxas médias de inflação geral se mantiveram acima de cinco pontos percentuais ao longo dos últimos cinco anos, levando a um aumento acumulado de 69%.

“O contínuo aumento das taxas de inflação médica mundial estão ligados a fatores como o envelhecimento global da população, as condições precárias de saúde em países emergentes, mudanças dos custos em programas sociais e o aumento da utilização nos planos de saúde”, afirma Matioli.

Doenças não transmissíveis

O estudo da Aon também revelou que as doenças não transmissíveis têm um impacto significativo nos custos e gerenciamento da saúde.  “As patologias mais predominantes como câncer, doenças cardiovasculares, pressão alta, diabetes e condições respiratórias foram as que mais geraram reivindicações sobre os cuidados com a saúde no mundo todo”, aponta a executiva da Aon.

Além disso, os hábitos nocivos à saúde praticados pelas pessoas continuam a crescer. Entre eles, os mais frequentes são: falta de atividade física, tratamento inadequado do estresse, má nutrição, obesidade, colesterol alto e pressão arterial elevada. Nesse contexto, fatores de riscos globais e doenças crônicas elevam, com o decorrer do tempo, os custos do tratamento e, consequentemente, encarecem todo o sistema de saúde.

Para mitigar os custos, o estudo revelou que um número crescente de empresas está buscando estratégias diferentes. Um exemplo são os projetos realizados em conjunto com as operadoras de saúde, focados na prevenção. As mudanças sugeridas incluem programas direcionados à redução nas condições crônicas e mais ferramentas de educação, com foco em ajudar os usuários a melhor usufruírem de seus planos de saúde.

Metodologia

O relatório da companhia é realizado em 99 países, a partir de expectativas e tendências médicas globais de planos médicos patrocinados, base de dados computada pelos profissionais das áreas, clientes e operadoras da carteira de negócios.

Tabela de tendências médicas por região:

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