Atualmente, mais de 60% dos atendimentos em emergências de hospitais privados – conhecidas também como pronto-socorro (PS) ou pronto atendimentos (PA) – são de casos de baixa complexidade, segundo estimativas de especialistas da área. Ou seja, situações que poderiam ser tratadas em unidades ambulatoriais, uma vez que não oferecem risco de morte.

Mas por que os pacientes optam por procurar um PS? A resposta é simples: resolubilidade. Pois, apesar de serem casos sem gravidade, terem um tempo de espera alargado na estratificação de risco – por vezes, o cliente amarga cerca de cinco horas até a finalização do atendimento –, no modelo atual, ainda é na emergência que o paciente consegue ser atendido no mesmo dia, realiza exames laboratoriais e de imagem e os resultados são avaliados pelo médico, que já inicia o tratamento indicado para o quadro clínico diagnosticado.

No caminho usual, que poderia ser percorrido por esses casos de baixa complexidade, em quanto tempo o paciente conseguiria agendar uma consulta com um médico de seu convênio? Somado a isso, quantos dias seriam necessários para que esse paciente consiga realizar os exames prescritos pelo médico e agendar a consulta de retorno e, a partir daí, ter um diagnóstico fechado e dar início ao tratamento? Alguém arrisca um palpite?

É nesse vácuo entre consulta e tratamento que acontece o êxodo dos ambulatórios para as emergências. A peregrinação é em massa, a espera é angustiante e os custos do atendimento disparam. Acredito que o resgate do médico de família em um centro integrado de saúde que proporcione acolhimento, resolubilidade e custos saudáveis pode ser o equilíbrio entre as cinco horas, em média, de espera no PS e os vários dias para o início do tratamento pelo atendimento ambulatorial.

Nosso desafio como gestores de saúde é buscar alternativas de qualidade e resolubilidade com viabilidade financeira para que os pacientes tenham acompanhamento constante através do modelo de atenção primária à saúde.