As receitas das operadoras de seguro saúde cresceram 13% em 2016, enquanto seus sinistros aumentaram 14%. Esses números, expostos pelo diretor de Saúde da Sompo Seguros, Valter Hime, durante workshop promovido pelo Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ), resumem a atual situação do segmento no país. Durante o evento, que aconteceu na quinta-feira, 27 de abril, o executivo apontou esses e outros aspectos que vêm chamando a atenção no mercado.

“Além do aumento da sinistralidade, a inflação médica afeta as seguradoras em seus custos internos. A sociedade é quem acaba pagando, pois esse valor é transferido ao prêmio”, explica Hime.

O executivo diz que isso contribui para a evasão dos planos e para a perda na qualidade dos serviços prestados: “o excesso de profissionais nas redes credenciadas gera um efeito contrário ao da lei de oferta e procura, que costuma fazer os preços caírem. Diante da ociosidade, eles criam formas de se remunerar, fazendo procedimentos desnecessários, por exemplo”.

De acordo com o diretor da Sompo, a inflação médica também é influenciada pela variação cambial, visto que a maioria dos equipamentos e medicamentos é importada; pela baixa remuneração aos profissionais de saúde, que geram efeito similar ao da ociosidade; pela utilização indiscriminada dos planos pelos segurados e pela falta de modelos de coparticipação, que seriam capazes de tornar o uso mais consciente; e, por fim, pela judicialização da saúde suplementar.

Para que as empresas que contratam seguro saúde para seus funcionários não precisem tomar a difícil decisão de não manter o benefício, Hime acredita que algumas escolhas devem ser feitas. “É preciso prestar mais atenção na qualidade, e não na quantidade de clínicas ou médicos credenciados, escolher por eficiência e não por localização”, enumera.

Ele acredita que os planos devam passar por uma regionalização, deixando de perseguir o complicado desafio de oferecer uma cobertura nacional; e, no caso de clínicas e hospitais, um processo especialização, passando a atuar em rede com outras instituições. “No interior de São Paulo, isso já está acontecendo. Já existem hoje 150 cooperativas”, exemplifica.

Sua grande aposta, porém, é o estabelecimento de modelos de coparticipação e franquias. Hime afirmou que, se a participação do segurado nos custos com saúde fizer parte do orçamento familiar, a utilização desses serviços se tornará mais responsável, o que diminuirá os preços dos planos a longo prazo, ajudando na recuperação da qualidade nos atendimentos.

Esse é um dos tópicos que vêm sendo debatidos em âmbito de regulação. Há ainda expectativas em relação à normatização da transferência de riscos pelas operadoras de saúde, à criminalização de fraudes na aplicação de órteses, próteses e outros materiais; e ao novo rol de procedimentos, que terá 44 novos itens.

A criação do plano de saúde popular fecha a lista. “Acredito que esse produto irá construir um modelo sustentável de cobrir serviços de saúde, com a divisão de tarefas entre a iniciativa privada e o SUS. Hoje, essa oferta é sobreposta”, argumenta o diretor. Por fim, Hime falou ainda sobre a necessidade de um maior diálogo entre operadoras e prestadores de serviços, para que as atuais dificuldades sejam superadas em conjunto.

O evento foi mais um entre as iniciativas do CVG-RJ para promover a capacitação dos profissionais do mercado. “O Workshop VIP é gratuito e realizado em parceria com as seguradoras beneméritas do Clube, sempre buscando abordar um tema atual e de relevância para o setor”, disse o presidente da entidade, Marcello Hollanda.