As consequências da pandemia da covid-19 têm sido severas para todo o setor de saúde. Planos de saúde têm lidado com internações prolongadas e custosas em consequência do coronavírus, mantendo elevada a sinistralidade do setor. Hospitais têm perdido recursos devido à postergação de procedimentos eletivos.

“Os custos são grandes e ninguém sai ganhando num processo doloroso como esse”, afirmou a diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente, na live “Planejamento dos convênios e hospitais privados para a fase atual da pandemia e para o pós-pandemia”, promovida nesta segunda-feira, 8/6, pelo canal Dr. Ajuda e mediada pelo médico Fábio Ortega.

Além disso, procedimentos eletivos adiados pelos pacientes compõem uma demanda reprimida que, tão logo passe o pico da pandemia, deverá gerar sobrecarrega sobre o sistema. Logo, o fundamental agora é planejar a volta dos atendimentos de maneira ordenada. “Que não tenha engarrafamento. Quem toma decisão é o médico. Que esse retorno seja organizado pelo bem do paciente”, sugeriu Vera.

O maior objetivo das operadoras neste período de pandemia tem sido manter o sistema de saúde atuando bem. “Os planos funcionam como uma grande caixa d’água que irriga toda uma cadeia de prestadores. 90% do faturamento dos hospitais vêm dos planos de saúde. É um sistema que precisa funcionar interligado. Precisa neste momento crítico não sofrer nenhum tipo de intervenção que o comprometa”, afirmou a diretora executiva da FenaSaúde.

live contou também com a participação do superintendente do Hospital do Coração (HCOR), Fernando Torelly. Ele destacou a união dos setores públicos e privados durante este processo. “Não tem público e privado neste momento. Nós (hospitais privados) estamos nos sentindo públicos e os públicos estão numa relação muito próxima com os hospitais privados para que a gente consiga fazer o melhor enfrentamento em conjunto”, avaliou.

Parceria e solidariedade

Vera Valente registrou que as operadoras têm buscado ser parceiras de prestadores e solidárias com beneficiários e contratantes neste período crítico. “É uma grande rede de solidariedade. As operadoras associadas à FenaSaúde também estão neste movimento de parcerias com hospitais, doando equipamentos, ajudando na instalação de hospitais de campanha. Ou seja, somos parte desse processo. E foram decisões individuais, voluntárias, das empresas”, disse.

Com 47,1 milhões de beneficiários, o sistema suplementar também tem o papel fundamental de desafogar o SUS neste momento. As operadoras têm atuado para manter seus contratantes e beneficiários cobertos pelos planos.

Uma das medidas das associadas à FenaSaúde foi suspender todos os reajuste dos planos individuais, coletivos por adesão e empresariais até 29 vidas por três meses, até 31 de julho, com recomposição dos valores apenas a partir de outubro. “As operadoras individualmente tem buscado negociar com seus contratantes. Estamos preocupados e sensíveis em manter essa cadeia funcionando bem”, ressaltou Vera.

Fila única de leitos

O debate também mostrou que sistemas público e privado são complementares e precisam trabalhar juntos, de forma organizada e coordenada. De maneira nenhuma, um deve se sobrepor ao outro, como na controversa proposta de fila única de leitos da UTI gerida pelo SUS.

“Se você pensar num país de dimensões continentais como o Brasil, com peculiaridades diferentes, uma fila única não teria uma gestão adequada. Você poderia prejudicar tanto o público, que já estaria colapsado, quanto o sistema privado, que está funcionando bem”, disse a representante da FenaSaúde.

Para Torelly, a discussão sobre a fila única de leitos tira, inclusive, o foco correto sobre o que precisa ser aprimorado neste momento: o dia a dia dos hospitais no combate à doença, a superlotação e a formação do capital humano para lidar com os equipamentos e os doentes.

Aprendizados e lições

A pandemia, entretanto, tem trazido boas lições para o setor de saúde. Entre elas, a constatação de que é possível ter um modelo de assistência menos hospitalocêntrico (ou seja, menos concentrado em atendimento hospitalar); a necessidade de mais ações de atenção básica; e a maior prevenção, com os cuidados voltados para a saúde das pessoas e não para a doença.

A medicina deve ser baseada em valor, nos resultados e desfechos que gera para o paciente. Um dos destaques dessa nova era é a consolidação da telemedicina. “É solução para tudo? Não. Substitui o médico ao vivo? Não. Mas não é que veio para ficar, já ficou”, disse Vera Valente.

Especificamente na saúde suplementar, em uma nova conjuntura econômica com menos empregos formais a ampliação e a diversificação da oferta estarão no centro das atenções. Isso inclui maior segmentação das coberturas dos planos de saúde e a volta da comercialização de planos individuais, sob regras mais adequadas à nova realidade.

O Dr. Ajuda é um canal de prestação de serviço disponível nas redes sociais que tem o objetivo de orientar as pessoas sobre questões relacionadas à saúde, como prevenção, cuidados e tratamentos. As informações são apresentadas por profissionais qualificados e com credibilidade, esclarecendo em linguagem simples o que o paciente precisa saber sobre seu caso. Apenas em sua página no YouTube, o canal tem 660 mil inscritos.