Nos anos 50, o dramaturgo Nelson Rodrigues cunhou uma expressão que não se perdeu com o passar do tempo: brasileiro tem mesmo complexo de vira-lata! A máxima serve para vários departamentos: futebol, política, cultura e saúde. Porém, acredito que o importante não é a maneira como nos desempenhamos, mas o que fazemos para nos aprimorar. E na saúde não é diferente.

Apesar de ser a área que envolve os maiores gastos públicos, a saúde apresenta resultados longe de serem satisfatórios. Para alguns, a causa está nos governos e em sua gestão deficitária e na qual mais dinheiro resolveria a questão. No entanto, basta uma rápida análise em hospitais, ou pesquisando nos jornais, para constatar o contrário: o problema está no desperdício.

Outros acusados são a falta de investimentos em tecnologia e a ausência de uma administração moderna. Para a solução do primeiro, máquinas e equipamentos sofisticados são procurados, bem como avançados sistemas de tecnologia da informação. Porém, há o que se discutir em torno dessa questão, uma vez que são caros e os benefícios, questionáveis. Já a administração do setor é alvo de críticas porque está baseada em princípios gerenciais obsoletos. O caminho, portanto, passaria pela adoção de estratégias administrativas mais modernas.

Esses são alguns dos sintomas diagnosticados e aos quais é atribuído o atual quadro da nossa saúde. Só que o problema reside em relacionar a causa da questão a apenas um lado. Ledo engano, já que o setor envolve vários responsáveis: pacientes, médicos, governos e planos de saúde. O problema é muito maior e sistêmico.

Uma possibilidade é voltar os olhos para revisão da atenção primária mais integral e dar maior foco na prevenção secundária garantindo o continuum care junto aos grupos com maior risco de saúde. Mas é preciso parar de procurar culpados.