Com o anúncio da aquisição da operadora São Francisco, anteontem, o valor de mercado da Hapvida teve uma alta de R$ 2,7 bilhões, em dois pregões na B3, saltando para R$ 23,2 bilhões.

Ontem, as companhias apresentaram para o mercado mais detalhes sobre a transação. A estimativa é que a São Francisco apure um lucro líquido de R$ 185 milhões neste ano e de R$ 241 milhões em 2020.

Já a receita líquida deve fechar o ano com uma alta de 40% para R$ 2,1 bilhões e atingir R$ 2,5 bilhões em 2020. “Esses números levam em consideração uma previsão conservadora de aumento de 10% na carteira de usuários. Nos últimos anos, o crescimento médio foi de 35%”, disse Bruno Cals, diretor de relações com investidores da Hapvida. Essas previsões não incluem os ganhos de sinergias e possíveis aquisições.

A São Francisco tem no radar 25 ativos de pequeno porte para aquisição, cujas negociações continuam em andamento. “Essas operadoras juntas têm cerca de 500 mil usuários e cada uma delas tem em média 23 mil vidas”, disse Lício Cintra, presidente da São Francisco, que permanecerá na companhia. Nos últimos dez anos, a São Francisco fechou 18 aquisições que juntas somam 300 mil usuários.

As operadoras compradas nos últimos 24 meses representam cerca de 12% do Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização) de R$ 295 milhões previsto para esse ano. A estimativa é que esse indicador tenha um aumento de 44% quando comparado ao Ebitda de 2018.

No ano passado, a São Francisco inaugurou 18 unidades, entre clínicas, laboratórios e hospitais próprios, com investimentos de R$ 200 milhões. “Fizemos vários investimentos na nossa rede própria que demandam recursos em valores elevados. Ou seja, essa é uma demonstração que não estávamos só focando na venda da empresa, temos um projeto de longo prazo”, disse Cintra, acrescentando que a ideia inicial do grupo era abrir o capital.

A São Francisco investe fortemente em clínicas e laboratórios de medicina diagnóstica para atendimento médico primário e para controlar melhor o fluxo de internações hospitalares, onde há concentração maior dos custos. A taxa de sinistralidade da operadora é de 69% — percentual abaixo da concorrência, que varia de 72% a 90%. A companhia conta com uma plataforma tecnológica que mensura os indicadores de gastos médicos em sua rede própria e de terceiros. Com esses dados, a São Francisco consegue negociar melhor com os hospitais terceirizados. Hoje, 58% das internações dos pacientes da São Francisco são feitas na rede credenciada.

A Hapvida pretende usar a plataforma da São Francisco e também trabalhar com rede credenciada em cidades de médio porte. “Já estamos analisando essa possibilidade. Vamos aprender com a São Francisco”, disse Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida.