A operadora de planos de saúde Hapvida pode vir a oferecer rede credenciada em cidades médias. “Já estamos avaliando essa possibilidade”, afirmou Jorge Pinheiro, presidente da empresa, durante teleconferência com analistas e investidores nesta quarta-feira. Pinheiro informou ainda que pretende aumentar a rede própria da São Francisco. Atualmente, 42% das internações da operadora adquirida são feitas em rede verticalizada, enquanto que na Hapvida é 95%.

“Ainda não temos o percentual exato de quanto poderemos verticalizar, mas já enxergamos oportunidade em várias regiões, além disso, haverá aumento porque a São Francisco já tem outros hospitais a serem inaugurados”, disse Pinheiro.

A São Francisco deve encerrar o ano com um lucro líquido de R$ 185 milhões neste ano e de R$ 241 milhões em 2020, segundo afirmou Bruno Cals, diretor de relações com investidores da Hapvida.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) previsto neste ano é de R$ 295 milhões, o que representa uma alta de 44% sobre 2018. A margem do respectivo indicador deve ter alta de 0,4 ponto percentual para 14,1%.

Já a receita líquida estimada neste ano é de R$ 2,1 bilhões, alta de 40% sobre 2018. Em 2020, a receita esperada é R$ 2,4 bilhões. Segundo Cals, essas previsões não incluem as sinergias.

A estimativa é que as sinergias sejam de R$ 175 milhões, por ano, durante quatro anos. Deste valor, cerca de R$ 90 milhões virão da redução de despesas gerais e administrativas, R$ 70 milhões na linha de sinistralidade e R$ 15 milhões da área de vendas.

A São Francisco, inclusive, tem no radar 25 ativos com potencial de aquisição, que juntos representam cerca de 500 mil usuários. Cada operadora tem em média 23 mil clientes.

Nos últimos 10 anos, a São Francisco fez 18 aquisições que acrescentaram 300 mil usuários de convênio médico no período. Segundo Lício Cintra, presidente da São Francisco, as aquisições fechadas nos últimos 24 meses representam R$ 35 milhões, equivalente a cerca de 12% do Ebitda deste ano.

No ano passado, a São Francisco encerrou com um carteira composta por 800 mil usuários de convênio médico e 990 mil de planos dentais, o que representa alta de 123,4% e 317,7%, respectivamente, quando comparado a 2014.

Em 10 anos, a São Francisco só teve três contratos cancelados, segundo Cintra. Cerca de 40% dos planos de saúde da São Francisco tem coparticipação, o que ajuda a empresa ter uma sinistralidade na casa dos 60% — percentual bem abaixo do mercado. Além disso, a operadora vem investindo fortemente em clínicas e laboratórios próprios para atendimento médico primário e com isso controlar melhor as internações.

No ano passado, a São Francisco inaugurou 18 unidades entre clínicas, laboratórios e hospitais nas praças em que atua. O principal concorrente da operadora são as Unimeds, uma vez que a São Francisco atua muito no interior dos Estados, praças também de atuação das cooperativas médicas.

Distribuição de ações

As ações da Hapvida a serem entregues como parte do pagamento pela aquisição São Francisco serão distribuídas proporcionalmente aos fundadores da operadora, as famílias Pessoa e Musa, e a gestora Gávea, que detém 28% de participação.

Dos R$ 5 bilhões da transação, R$ 250 milhões serão pagos em ações da Hapvida, o que representa 1,2% da companhia. O valor fechado para a transação foi R$ 30.

Às 13h58, as ações da Hapvida operam em alta de 5,13% cotadas a R$ 34,42. Ontem, os papéis fecharam com valorização de 9,1%.