O impacto do envelhecimento populacional na previdência e na assistência à saúde norteou o painel de abertura do 1º Seminário Nacional de educação em seguros. O debate, que teve como tema o desafio da logevidade para a economia brasileira, contou com a participação do economista e diretor do Instituto Milenium, Paulo Tafner; da presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Solange Beatriz Mendes; e do presidente da Federação Nacional de Previdencia Privada e Vida (FenaPrevi), Edson Franco.

Tafner expôs a urgência de uma reforma da previdência por meio de números: na decada de 1980, o Brasil contava com 66 milhões de pessoas em idade ativa e 7,2 milhões de idosos. Em 2010, eram 126 milhões em idade ativa e 19,6 milhões de pessoas com mais de 60 anos. E as projeções apontam que em 2050 chegaremos a 128 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 59 anos e uma população de idosos de 66,5 milhões. “O número de idosos será 3,4 vezes maior do que era em 2010. E teremos 3,6 milhões com 90 anos e mais de 300 mil centenários”, alertou.

Ainda de acordo com o economista, o Brasil tem caracteristicas de países jovens como México e Turquia, mas tem gastos na previdencia equivalentes a paises como Alemanha e Japão. Entre 2014 e 2015, a Previdencia Social apresentou resultado negativo de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB). “Se não houvesse esse déficit, 2015 fecharia com superávit primário de mais de 2% do PIB”, eclareceu Tafner.

O diretor do Instituto Milenium também defendeu mudanças no regime de aposentadorias de servidores de municipios, estados e da União, que só em 2015 apresentaram um déficit de R$ 126,7 bilhões. “Ou seja, são apenas 3,5 milhões de indivíduos que geram um déficit de 127 bilhões de reais.”

Na opinião de Paulo Tafner, entre os fatores que contribuem para o aumento de todos esses gastos excessivos estão a mudança demográfica e os incentivos inadequados, como regras de elegibilidade, regras de fixação do valor do benefício e acumulação de benefícios. Para o economista, mantidas as regras atuais, em poucos anos o Brasil estará gastando entre 18% e 21% do PIB com previdência. “As futura gerações estarão condenadas à pobreza”.

Saúde – Esse pessimismo de Paulo Tafner também é visto quando se analisa a assistência à sáude e o envelhecimento da população. “Em 15 anos aumentamos as despesas em 1,7 pontos percentuais do PIB. E agora, com a aceleração do processo de envelhecimento, o aumento do gasto vai se acelerar. Com essas taxas de crescimento dos grupos etários, a composição dos gastos vai se alterar, elevando o gasto total. E isso vai ocorrer nos próximos 30 anos.”

Essa opinião é compartilhada pela presidente da FenaSaúde. “Nos ultimos dez anos, o número de beneficiários com 60 anos ou mais de idade cresceu 55%, enquanto a população entre zero e 19 anos manteve um crescimento de apenas 25,9%”, explicou Solange Beatriz

De acordo com a executiva, a Saúde Suplementar conta com 6,1 milhões de beneficiários com mais de 60 anos, o que representa 13% do total. “Idosos têm doenças crônicas, de trato continuado, complexo e caro. Em 2030, os idosos representarão 48% dos gastos com saúde”, explicou.

Segundo Solange Beatriz, enquanto um beneficiário com idade entre zero e 19 anos custa R$ 1 mil por ano, na faixa acima dos 80 anos o custo é de R$ 1 mil ao mês. A presidente da FenaSaúde também apresentou a projeção do gasto assistencial da Saúde Suplementar em 2030. Levando em conta o VCMH (Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares), esse valor chegará a R$ 397 bilhões. Já sem essa “inflação médica”, o gasto cairá para R$ 166 bilhões. Para esse mesmo período o crescimento da taxa de internação de pessoas acima de 59 anos de idade será de 105%.

“Diante desse quadro, defendemos a necessidade da revisão do modelo de assistência atual para o uso da atenção integrada no cuidado do idoso. Nosso grande desafio é conter essa escalada de custos e nossas empresas estão engajadas em promover saúde e maior acesso da população. Mas, precisamos que os 70 milhões de beneficiários de planos de saúde se enxerguem nessa cadeia e façam parte dessa mudança de cuidado à saúde”.

Previdência – O presidente da FenaPrevi, Edson Franco, fez um alerta sobre a crise da razão de dependência no Brasil, que é a relação entre a população inativa e potencialmente ativa. De acordo com o executivo, em 50 anos essa relação irá passar de 10% para 60%. “Na França essa relação será de 19% para 40%. Esse ritmo está muito acelerado no nosso país. O Brasil está envelhecendo antes de ter ficado rico. Teremos menos tempo para nos adaptarmos a esse processo de envelhecimento. E o problema está no crescimento dos gastos com uma população envelhecida. Por isso defendemos a reforma da previdência”.

Edson Franco defende dois tipos de reformas: uma paramétrica e de curto prazo e outra estrutural, com foco no futuro e que comtemple quem irá integrar o mercado de trabalho. “Buscamos um modelo de estabilidade financeira e de sustentabilidade com senso de justiça social. É importante eliminar privilegios e concessões de determinadas classes para se chegar a uma previdencia única e universal”.

Para isso, o presidente da FenaPrevi defende quatro pilares: o pilar social; um pilar da contribuição especifica para o sistema previdenciário; um pilar individual, onde cada individuo poupe em regime de coparticipação; e o pilar da previdencia complementar. “Existem alternativas e soluções. Essas medidas são necessárias mas impopulares porque ninguém quer abrir mão do seu direito. Por isso, o debate honesto com toda sociedade é fundamental.