Apesar de ser considerado quesito de prioridade por muitos, o plano de saúde ainda não é acessível para a maioria da população. Para aqueles que conseguem, o benefício pode se tornar uma despesa pesada no orçamento familiar.

De acordo com o levantamento realizada pelo Centro de Pesquisas Rachid Mohamd Chibib, da Faculdade Pio XII, em parceria com o jornal A Tribuna, 45,28% dos entrevistados gastam de 20 a 40% do que ganham com as mensalidades dos planos de saúde. Outros 5,28% dizem que a despesa consome mais de 50% da renda.

Somando os dois grupos, 50,56% dos entrevistados gastam mais de 20% do salário com plano de saúde. Além disso, a pesquisa mostrou que 7,5% já tiveram de pedir empréstimos para cobrir as despesas com o plano de saúde.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a principal reclamação nos últimos anos quando o assunto é o plano de saúde são os reajustes abusivos.

“O reajuste passou a ser a principal preocupação. Vemos que a dificuldade agora é de permanência nos planos. O consumidor não está conseguindo pagar as mensalidades”, destacou a advogada e coordenadora do programa de Saúde do Idec, Ana Carolina Navarrete.

Outro motivo são os reajustes abusivos. Em 2018, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou uma pesquisa sobre judicialização na saúde suplementar, no âmbito do Programa Parceiros da Cidadania, para identificar os temas com maior frequência de reclamações. Reajuste de mensalidade está entre eles.

A advogada e professora de Saúde dos cursos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Maria Luisa Correia destacou que os idosos são, geralmente, os clientes que têm maior dificuldade no pagamento.

“Muitas vezes, esses reajustes causam grandes impactos econômicos, na qualidade de vida e saúde desse idoso. Por muitas vezes, ele precisa um defensor ou um advogado”. Segundo a advogada Karina Rocha, é importante pesquisar bem o plano de saúde antes da contratação.

“Observar se as reclamações são resolvidas e se é um plano efetivamente ativo no mercado. Tentar obter o máximo de informações sobre as coberturas e fazer constar tudo no contrato, antes de assinar”.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) destacou que deseja ampliar o acesso aos planos e, para isso, entende a necessidade de disponibilizar novos produtos que se encaixem nas prioridades dos consumidores.