Envelhecimento da população, judicialização e remuneração fee for service colocam em risco a saúde financeira das operadoras de saúde. Tema será debatido no 10 Seminário UNIDAS.

Os altos custos do tratamento oncológico, aliados ao envelhecimento da população, incorporação de novas tecnologias, judicialização e o atual sistema de remuneração (fee for service) podem inviabilizar os planos com carteira mais envelhecida, segundo a CEO da Oncohealth, Patricia Narciso, que será palestrante do 10º Seminário UNIDAS, que acontece nos dias 30 e 31 de abril, em Brasília.

O cenário já está bastante complexo. Algumas operadoras viram seus custos em oncologia triplicarem em apenas dois anos, colocando em risco o equilíbrio e a saúde financeira dos planos e, consequentemente, o tratamento dos pacientes. E um dos caminhos para amenizar esses efeitos, segundo Narciso, passa pelos programas de prevenção e diagnóstico rápido e precoce dos casos de câncer. “É fundamental que haja investimentos no atendimento primário à saúde que, historicamente, as autogestões sempre fizerem melhor que as operadoras de mercado. Agora, com o advento de novas terapias e a crescente sinistralidade da carteira pela idade, mais do que nunca, essa pode ser a chave para se manter saudável financeiramente”, explica.

O fato é que o câncer se tornou uma doença crônica, que nos próximos 10 anos tende a causar grande impacto nos custos assistenciais para as operadoras de saúde, sobretudo com a incorporação de novas tecnologias. É o caso da imuno-oncologia, que é considerada uma das maiores inovações no tratamento do câncer, porém com elevado custo.

A especialista, no entanto, faz um alerta. “A personalização do tratamento é um grande passo na oncologia e é natural que com o forte apelo social que o câncer tem, os pacientes e familiares criem grandes expectativas sobre o uso de novos medicamentos e procedimentos, no entanto, muitas vezes essa introdução é feita de forma precoce e sem a garantia de que haverá benefícios clínicos aos pacientes e, portanto, deve ser feita com cautela”, finaliza a CEO da Oncohealth.