O setor de saúde foi atingido em menor ou maior grau pelo coronavírus, dependendo do segmento. Se por um lado os consultórios ficaram vazios durante a pandemia por outro a telemedicina ganhou força. O que esperar das empresas daqui para frente?

Pensando nisso, o Safra realizou uma rodada de videoconferências com NotreDame (GNDI3), Hapvida (HAPV3), SulÁmerica (SULA11), Fleury (FLRY3) e Hermes Pardini (PARD3) para entender melhor o cenário que se desenha no pós-crise.

Segundo os analistas Ricardo Boiati e Rafael Une, no geral, o setor continua positivo, mas há alguns entraves no radar. A telemedicina, por exemplo, corre um risco regulatório, já que o decreto que a autorizou expira em 31 de dezembro.

NotreDame

De acordo com a dupla, a NotreDame seguirá a mesma cartilha: aumentar o número de fusões e aquisições onde a empresa já opera.

“A companhia está procurando diferentes oportunidades de fusões e aquisições nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, mas não possui metas atuais em outros estados”, argumentam.

Outra questão apontada foi o aumento da verticalização. Segundo o CFO da NotreDame, Marcelo Moreira, a empresa está disposta a replicar o modelo desenvolvido no estado de São Paulo para as demais regiões em que atua.

“NotreDame tem muito espaço para aumentar sua verticalização, o que é crucial para aumentar sua vantagem competitiva”, destacam.

A recomendação é de compra com preço-alvo de R$ 74,60.

A Hapvida é a top pick (favorita do setor) do Safra, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16,04.

SulAmérica

Para os analistas, a SulAmérica está no caminho certo, com bom desempenho em cidades como Rio de Janeiro, Recife e João Pessoa, “embora precise de alguns ajustes em São Paulo e Curitiba”.

Além disso, a companhia acredita que seu aplicativo deve funcionar como uma espécie de centro de saúde para o paciente. Assim, é possível oferecer soluções sobre medida para a necessidade de cada um.

Em relação ao SulAmérica Direto, a dupla destaca que há um crescimento acelerado. Porém, como o tíquete médio do produto é significativamente menor, o crescimento do volume teria que ser excelente para influenciar os resultados da empresa.

A corretora espera um crescimento limitado da SulAmérica, principalmente devido a dinâmica dos lucros desafiadores por conta da baixa taxa de juros. O preço-alvo é de R$ 47,60.

Fleury

Segundo os especialistas, a Fleury pretende construir uma plataforma de saúde completa com o paciente no centro do palco. A ideia é que os clientes possam consumir produtos e serviços de saúde de uma maneira diferente.

A empresa também vê a telemedicina como um nova realidade. De acordo com o CEO, Carlos Marinelli, o risco de encerrar este segmento é um retrocesso, pois as empresas de saúde provaram que é um serviço essencial e de qualidade.

Sobre a segunda onda da Covid, a empresa afirma que o setor está mais preparado.

“No início da primeira onda, faltavam EPIs (máscaras, luvas e outros materiais), não havia conhecimento suficiente sobre a doença ou como se adaptar, então o bloqueio era necessário. Agora, até a abordagem do tratamento mudou”, destacam.

O Safra tem classificação outperform, ou seja, acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 31, potencial de valorização de 18%.

Hermes Pardini

No caso da Hermes Parini, os analistas lembram que a empresa vem se recuperando rapidamente, com a maioria das operações já apresentando crescimento.

A respeito das perspectivas para os testes da Covid-19 em 2021, o cenário mais provável, de acordo com os prazos esperados de vacinas, é que o primeiro semestre ainda deva ser forte.

O Safra manteve a recomendação de compra, com classificação outperform, ou seja, acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 32, o que implica potencial de valorização de 38%.