No quarto mês de gestação, Paloma Christiansen, 29, encontrou a rede de apoio que buscava para dar à luz o seu primeiro filho.

Diferentemente de tudo o que já havia feito, ela passou a frequentar consultas em grupo, tirar dúvidas com médicas que se alternam a cada atendimento e a se preparar para o parto natural —que seria realizado com a profissional que estivesse de plantão no dia.

“É um modelo prático e acessível. Eu me senti acolhida e à vontade desde o primeiro dia. Com as consultas em grupo, aprendo muito com as dúvidas das outras grávidas”, diz Christiansen.

Ela é uma das pacientes do Coletivo Nascer, criado há menos de um ano por seis obstetrizes e seis médicas.

“Oferecemos parto humanizado por um preço bem menor do que aquele praticado hoje para esse tipo de assistência”, detalha Ana Cristina Duarte, obstetriz e diretora-executiva do coletivo.

Segundo o modelo, as pacientes pagam uma média de R$ 150 por consulta e entre R$ 5.000 e R$ 6.000 pelo parto —menos da metade dos serviços particulares oferecidos em São Paulo, onde o Coletivo Nascer está baseado.

“Nós percebemos que estamos chegando a uma população que nunca teve acesso a esse tipo de serviço”, comenta Duarte. Por meio do grupo, ela e as outras 11 profissionais realizam 40 partos por mês, feitos em dois hospitais da capital paulista.

A assistência oferecida pelo Coletivo Nascer é apenas um dos novos formatos de atendimento e acompanhamento médico que têm surgido recentemente pelo país.

Desde que inaugurou um modelo alternativo de clínica, que usa um aplicativo integrado ao prontuário eletrônico do paciente, a endocrinologista Regina Diniz diz colecionar resultados surpreendentes nos tratamentos.

“A resposta é mais efetiva, já que o contato com o paciente é também mais intensivo”, afirma a médica, que tem 18 anos de experiência e trata principalmente de casos de obesidade e de diabetes tipo 2.

Batizado de Doutor Recomenda, o modelo foi testado numa clínica em Taboão da Serra e agora conta com uma nova unidade em Higienópolis. Com pacotes que vão de um a seis meses, o tratamento é presencial e pode ser acompanhado pelo aplicativo.

Em casa, os pacientes seguem as orientações médicas pela plataforma, ajudam a criar o prontuário com informações cotidianas e podem tirar dúvidas pelo chat. Há ainda opções de videoconferências semanais entre uma consulta e outra.

A assinatura do serviço está na faixa de preço das consultas oferecidas em clínicas populares, afirma Diniz, que inaugurou o modelo em 2017 com a economista Luíza Granado. “O nosso público é bem dividido: metade tem convênio e metade, não”, complementa Diniz.

Programas alternativos de assistência médica se multiplicam em plataformas digitais. Dados do Movimento 100 Open Startups apontam mais de 500 startups que oferecem serviços e soluções para o mercado de saúde.

Nem tudo, porém, é regulamentado. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) controla e fiscaliza apenas as operadoras de planos de saúde. Novos formatos de assistência fogem ao escopo de sua atuação, informou a agência à Folha.

E os atendimentos online, processos chamados de telemedicina, enfrentam também certa desconfiança. Uma mostra disso foi dada no começo do ano, quando uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina que regulamentava a prática foi revogada logo após a publicação.

“As pessoas ainda não sabem direito o que é. Até os médicos têm desconhecimento”, pontua Luis Henrique Leonardo, médico responsável pela primeira plataforma de telemedicina no país, a Teldoc.

Com uso autorizado para ocasiões em que profissionais fazem análise de resultados ou atendimento a distância mediado por médico, como acontece dentro de uma ambulância, a telemedicina não pode substituir uma consulta presencial.

Para Leonardo, essa modalidade poderia ser usada em lugares onde o acesso a serviços de saúde é restrito. “É claro que isso vale para atendimentos mais simples, de baixa complexidade, de baixo risco, como doenças respiratórias, infecção urinária, hipertensão”, explica, citando alguns exemplos.