O número de adultos com diabetes quadruplicou em todo o mundo em menos de quatro décadas, chegando a 422 milhões de casos. Um estudo da Organização Mundial de Saúde publicado na quarta-feira (6) mostra que a situação está ficando especialmente grave nos países mais pobres.

Em um dos maiores estudos sobre diabetes feitos até hoje, os pesquisadores concluíram que o envelhecimento populacional e o aumento dos níveis mundiais de obesidade fizeram com que a doença se tornasse “uma questão central para a saúde pública global”.

O diabetes tipo 2 é uma condição de longo prazo caracterizada por uma resistência à insulina. Os pacientes podem lidar com o problema por meio de medicação e controle alimentar, mas a doença muitas vezes persiste por toda a vida e está entre as principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e amputações de membros inferiores.

“A obesidade é o fator de risco mais importante para o diabetes tipo 2 e nossas tentativas de controlar suas taxas crescentes têm sido mal sucedidas”, afirma o pesquisador Majid Ezzati, do College de Londres, que liderou a pesquisa da OMS.

Publicado na revista científica Lancet um dia antes do Dia Mundial da Saúde das Nações Unidas, na quinta-feira (7), o estudo utilizou dados de 4,4 milhões de adultos em diferentes regiões do mundo para estimar a prevalência de diabetes em 200 países.

Constatou-se que entre 1980 e 2014, a doença tornou-se mais comum entre os homens do que entre as mulheres, e as taxas de diabetes aumentaram significativamente em países de renda per capita baixa ou média incluindo China, Índia, Indonésia, Paquistão, Egito e México.

Margaret Chan, diretora-geral da OMS, disse que os resultados mostraram a necessidade de combater urgentemente dietas e hábitos de vida pouco saudáveis.

“Se quisermos fazer qualquer progresso para deter o aumento da diabetes, precisamos repensar nossa vida diária: comer de forma saudável, ser fisicamente ativo e evitar o ganho excessivo de peso”, disse em entrevista feita na sede da OMS, em Genebra.

“Mesmo nas regiões mais pobres, os governos devem assegurar que as pessoas possam ter acesso a um estilo de vida saudável e que os sistemas de saúde sejam capazes de diagnosticar e tratar os diabéticos”, disse Chan.

O estudo constatou que o noroeste da Europa tem os menores índices de diabetes para ambos os sexos, com prevalência ajustada por idade inferior a 4% entre as mulheres e em torno de 5 a 6% entre os homens na Suíça, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Holanda.

Nenhum país viu qualquer diminuição significativa na prevalência de diabetes nos últimos anos, segundo o estudo. O aumento mais acentuado se deu nas ilhas do Pacífico seguidas pelo Oriente Médio e Norte da África, em países como Egito, Jordânia e Arábia Saudita.

Os dados também mostraram que, em 2014, metade da população mundial de adultos diabéticos viviam em apenas cinco países: China, Índia, Estados Unidos Brasil e Indonésia. As taxas de diabete masculina mais que dobraram na Índia e na China entre 1980 e 2014.