O segmento da saúde suplementar deve passar por um processo de downgrade, mas isso é melhor que perder o cliente. A afirmação é do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos de Souza Abrahão, para quem o mercado deve estar atento a essa possibilidade e adotar nova postura. Segundo ele, a mudança precisa passar pelo “resgate”da relação entre médicos e pacientes e pela maior flexibilização das operadoras e do órgão regulador, “com responsabilidade”.

José Abrahão entende que o setor precisa oferecer produtos mais acessíveis e melhorar a gestão para haver menos desperdícios, inclusive, se for o caso, com a adoção de mecanismos como a coparticipação (franquia) do cliente. “A ANS fiscaliza mais de 54 mil produtos. Desse total, 47% têm algum tipo de coparticipação. Mas, não há incentivo no mercado para aumentar esse percentual. Isso traria a sociedade para se preocupar também com tantos exames e outros custos”, argumenta o presidente da ANS, que dias atrás focou esse tema ao participar do 21º Encontro dos Líderes do Mercado Segurador, organizado na Bahia pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

Segundo José Abrahão, a agência tem obrigação de aprofundar o diálogo com os órgãos de defesa do consumidor, “desprovida de preconceitos”. Ele defende ainda a importância de se desenvolver novos produtos, condizentes com a nova realidade do País. Como médico, destaca que gostaria de ver um “equilíbrio maior” entre a saúde pública e a saúde suplementar (privada).

Para tanto, sugere que essa integração tenha como foco principal a redução de desperdícios, para que se possa ter, no Brasil, um atendimento mais justo para a sociedade como um todo. “ O mosquito da dengue não escolhe quem tem plano privado ou não” , assinala Abrahão.

Fenasaúde

A presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes, que também esteve no encontro da CNSeg na Bahia, concorda que é preciso mais equilíbrio e garantia de sustentabilidade para o segmento, envolvendo todos os entes da cadeia de saúde – operadoras de planos de saúde, prestadores de serviços, órgãos reguladores, governo, sociedade, beneficiando, principalmente, consumidores de planos de saúde.

Na avaliação dela, é necessário também fortalecer os canais de diálogo com a sociedade, órgãos públicos e as representações de proteção e defesa do consumidor. “Essa é uma das minhas grandes preocupações. Vou empenhar todos os esforços para levar informação ao público e ampliar a relação do setor com a sociedade”, conta Solange Mendes.

Ela lembra ainda que, nos últimos meses, o mercado de saúde suplementar passou por desaceleração em seu ritmo de crescimento em razão da retração da atividade econômica. Além disso, projeções feitas pela Fenasaúde, com base em dados consolidados da ANS, apontam crescimento das receitas inferior à evolução das despesas assistenciais (12,8% e 14,9%, respectivamente) em 2016.