Quatro operadoras de planos de saúde de grande porte, ou seja, com faturamento anual superior a R$ 500 milhões, estão com patrimônio líquido negativo (o valor das obrigações de curto prazo com terceiros é superior ao dos ativos). São elas: Unimed-Rio, Unimed Manaus e os convênios médicos que atendem servidores públicos Geap e a Capesesp.

Em 2007 e 2010, não havia nenhuma operadora de grande porte com descasamento entre ativo e passivo. Esse problema afetava, principalmente, os planos de saúde menores, com receita inferior a R$ 100 milhões.

Atualmente, há um total de 64 convênios médicos com patrimônio líquido negativo, sendo 50 de pequenos porte, de acordo com dados levantados pela Abramge, associação das operadoras de planos de saúde. “O problema é que a ANS demora muito para agir e tomar uma providência. Veja o caso da Unimed-Rio que já vem se arrastando há muito tempo e chegou a essa situação”, disse Pedro Ramos, diretor da Abramge.

A Unimed-Rio está com um patrimônio líquido negativo de R$ 730 milhões e um endividamento financeiro e tributário superior a R$ 1 bilhão. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que vai colocar mais um de seus diretores dentro da cooperativa, desta vez para acompanhar o atendimento médico – procedimento conhecido no setor como direção técnica.

Desde o ano passado, a Unimed-Rio está sob direção fiscal, ou seja, há um diretor da ANS acompanhando a situação financeira da cooperativa. “Implantar um regime paralelo de direção técnica é ineficaz porque a medida não evita que a situação chegue a um nível extremo”, disse Rodrigo Araújo, advogado especializado na área da saúde.

Segundo fontes do setor, a agência reguladora deve determinar que cooperativa médica carioca repasse sua carteira formada por 830 mil clientes para o sistema Unimed e também venda seus ativos.

Entre 1999 e 2015, quase 2,5 mil operadoras de planos de saúde fecharam. Deste total, 44% tiveram seus registros cancelados pela ANS devido a diversos fatores como, por exemplo, liquidação da operadora que enfrentava problemas financeiros. A outra fatia de 56% foi de pedidos de cancelamento de registro feito pela própria operadora que pode ter vendido sua carteira de clientes para um concorrente ou ter sido adquirido por um grupo consolidador, segundo o levantamento da Abramge.

Em 2000, havia 1.458 operadoras de plano de saúde no mercado. Esse número caiu para 843 no ano passado. Já no segmento de planos dentais, houve uma redução de 32,6% para 330 operadoras. “A tendência é que o mercado brasileiro tenha oito grandes operadoras com atuação nacional, além de planos com presença exclusivamente regional”, disse Ramos.

A margem operacional no setor é de cerca de 1% do faturamento – o que afeta, principalmente, os grupos pequenos que não têm escala. Muitas operadoras e seguradoras compensam essa margem reduzida com ganhos financeiros, uma vez que são obrigadas a fazer provisões de possíveis perdas futuras. No ano passado, o faturamento do setor foi de R$ 158,7 bilhões, aumento de 13,2% em relação a 2014. Neste mesmo período, as despesas médicas cresceram 12,8% para R$ 120 bilhões.

As margens devem ser ainda mais apertadas neste ano. No acumulado dos nove primeiros meses, mais de 1 milhão de pessoas perderam o plano de saúde. Com isso, há 48,3 milhões de usuários de convênios médicos no país. Além disso, em setembro, a taxa de sinistralidade do setor ficou em 85%, sendo que o patamar considerado lucrativo é 75%.