Preocupadas com os custos astronômicos de tratamentos de doenças graves causadas pelo cigarro e de olho em gastos futuros, operadoras de planos de saúde vêm ampliando programas antitabagismo para ajudar o fumante a dar adeus ao vício.

No Brasil, estudos realizados por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimam que os custos para o sistema de saúde causados pelo tabaco são de aproximadamente R$ 23 bilhões ao ano.

No mundo, o tabagismo custa à economia mais de US$ 1 trilhão por ano em função da diminuição da produtividade, adoecimento e mortes prematuras, conforme aponta estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicado neste ano.

Maior operadora da capital e região metropolitana, a Unimed-BH mantém um grupo de cessação do tabagismo desde 2007. Mas foi em 2016 que a empresa colheu os melhores resultados.

Segundo levantamento feito no ano passado, 45,5% dos inscritos relataram ter parado de fumar após um ano no programa. O resultado é superior à meta estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), de 30%.

Foi identificado ainda que dos 300 clientes distintos agendados no grupo, 238 compareceram aos encontros, correspondendo a uma adesão de quase 80%.

O fumante participa de palestra motivacional, consulta médica e de cinco sessões de terapia cognitiva comportamental em grupo, com intervalos semanais.

Os encontros contam com até 20 participantes e são realizados nos Centros de Promoção da Saúde do Santa Efigênia, Pedro I, Contagem e Betim. A necessidade de uso de medicamentos e o grau de dependência são sempre avaliados.

“O remédio ajuda, mas não é milagroso. Parar de fumar exige colocar uma meta e atingi-la”, afirma o médico José Francisco Zumpano, clínico geral e atuante no programa da Unimed-BH.

Segundo ele, o investimento da operadora é alto, mas o retorno também chega pelo lado financeiro, com a economia no tratamento de diversas doenças graves causadas pelo tabaco.

“Mas não gosto de falar dos males do cigarro. Gosto mesmo de falar o quanto faz bem largar o cigarro. A pessoa melhora o apetite, o paladar e a respiração, tem a expectativa de vida aumentada e fica até mais cheirosa. Nem cachorro gosta de ficar perto de quem fuma por causa do cheiro desagradável”, diz Zumpano.

Medicamentos para combater o tabagismo custam muito menos do que bancar o vício

O fumante inveterado talvez nunca tenha parado para fazer as contas. Mas um maço por dia pode custar mais de R$ 280 ao final do mês. Em um ano, o vício terá consumido quase R$ 3 mil.

“É muito mais que o preço do medicamento mais caro, o Champix, cujo kit completo com duração de três meses é vendido por menos de R$ 1 mil”, compara o médico e integrante do programa de cessação do tabagismo da Unimed-BH, José Francisco Zumpano. Há ainda outros medicamentos mais baratos e manipulados, que custam cerca de R$ 150, por mês.

Após 42 anos de vício, a massagista Virgínia Ladeira Coelho conseguiu largar o cigarro depois do suporte recebido no grupo antitabagismo da Unimed-BH. “Um amigo me falou do programa. A princípio, achei que seria difícil. Mas liguei e consegui agendar na hora. Hoje sou outra pessoa”, diz. A receita é seguir o tratamento à risca e ter força de vontade. “Atualmente está muito chato fumar. Além disso, minha casa fedia. Agora recebo minha netinha numa boa”, conta.

Dono de uma rotina estressante, embalada pela montanha-russa do mercado financeiro, o analista de sistema Sérgio Murilo Costa ainda não conseguiu eliminar completamente o vício.

Mas a participação no programa da Bradesco Saúde o ajudou a cortar o consumo em 60%. “Quando comecei a participar do grupo fumava quase três maços. Hoje, não chega a um”, comemora. O tratamento durou seis meses, mas ele acredita que teria mais progressos se o prazo fosse estendido.

Dos participantes do programa da Bradesco Saúde, 48% pararam de fumar, enquanto 43% tiveram uma redução considerável na quantidade de cigarros consumidos por dia. A operadora também é beneficiada. O custo médio de tratamento de um paciente com doenças causadas pelo cigarro, como o câncer de pulmão, chega a R$ 400 mil.

Na SulAmérica, os segurados de Belo Horizonte podem contar com o programa Saúde Ativa. No país, atualmente são 75 mil clientes ativos. O programa parte do mapeamento do estado de saúde, estilo de vida e riscos de cada segurado para determinar o encaminhamento dos beneficiários a programas específicos de estímulo ou mudança de comportamentos.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), há atualmente 405 programas de prevenção de doenças e promoção da saúde aprovados pela ANS, que abrigam 683.761 pessoas inscritas.