Com a perda do plano coletivo, os planos individuais poderiam ser uma saída para quem pensa em, por conta própria, voltar a contar com o auxílio da assistência privada. Entretanto, a dificuldade para encontrar a modalidade em oferta no País tem afastado os consumidores e preocupado especialistas, que acreditam na extinção dos planos individuais em poucos anos.

Ainda era 2015, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), alertou que das 27 capitais brasileiras, cinco já não ofereciam qualquer opção de plano individual e, em outras 11, apenas uma operadora disponibilizava o serviço. De lá para cá, quatro anos se passaram e a situação só tem piorado. “Quarenta por cento da minha clientela foi reduzida. De todas as operadoras que eu trabalho, apenas uma oferece plano individual aqui no Estado. As pessoas até procuram, mas não tenho variedade para oferecer”, diz o consultor de vendas de planos de saúde Elias Bezerra, 50.

Até então mais barato e com mais garantias para o consumidor – como o reajuste das mensalidades estabelecidos pela ANS e a impossibilidade de rescisão unilateral do contrato – por conta da escassez, os individuais passaram a ter preço mais alto. “O plano individual mais barato que eu tenho, para quem tem até 18 anos, custa R$ 133. Uma pessoa de 60 anos encontra por no mínimo R$ 760 e, a partir daí, não é nada difícil chegar a R$ 2 mil.Com o crescimento do número de trabalhadores autônomos e informais, esse tipo de plano seria uma opção, mas as pessoas não conseguem pagar”, reforça Bezerra.

De acordo com o advogado especialista em saúde Elano Figueiredo, o controle do reajuste dos planos individuais por parte da ANS é um dos principais fatores que inibem a oferta dessa modalidade pelas empresas. “O que acontece é que as operadoras aumentaram significativamente o preço das tabelas desse produto, tentando equilibrar a carteira com a oxigenação de novos planos mais bem precificados e querendo qualificar a entrada nos planos individuais – só entra quem está disposto a arcar com o custo”, afirma.

Atrativo

Segundo o advogado, não existe hoje nenhum atrativo para que as empresas continuem a vender o plano individualmente. “A população está envelhecendo, o custo da saúde aumentando e o reajuste autorizado pela ANS não é suficiente para compensar a alta inflação médica”, ressalta. Para superar a escassez de contratos individuais, algumas empresas já começaram a oferecer aos clientes o plano de saúde condicionado à adesão a alguma associação. O problema dessa modalidade, conforme Figueiredo, é que o consumidor fica exposto à falta de garantias do contrato de pessoa física. “Se o aderente entende os riscos e deseja pagar, ok. Mas se está achando que aderiu a um plano individual, é preocupante.”