Os planos odontológicos, que até então não haviam sido afetados pela crise, perderam 274 mil beneficiários nos três primeiros meses deste ano, a maior baixa em relação ao trimestre anterior desde o início da série histórica em 2000.

A retração é de 1,25%, mas representa um ponto de inflexão: a curva, que vinha em ascensão, passará a ter quedas, diz Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar).

“O próximo trimestre deverá trazer uma nova redução, de escala semelhante.”

O desemprego é o principal fator apontado -os planos coletivos empresariais representam cerca de 75% do total.

As ondas de demissões no país já haviam atingido o setor de planos médico-hospitalares que, em 2015, perdeu 766 mil beneficiários.

Os planos odontológicos tardaram mais a sentir os efeitos da crise por terem um custo médio mais baixo e passarem uma melhor percepção de custo-benefício, diz Carneiro.

Além disso, é um mercado mais recente no país, com potencial de crescimento, afirma Geraldo Lima, presidente do Sinog (sindicato do setor).

“Menos de 50% dos que têm plano de saúde contratam o odontológico. É uma cultura em amadurecimento.”

Para o próximo trimestre, a entidade é mais otimista, e espera crescimento de 2,6%.

Nos últimos cinco anos, o número de beneficiários do setor cresceu mais de 40% no país, com a entrada de 6,6 milhões novos clientes -os planos médico-hospitalares somavam, no fim de março, 48,8 milhões.