Seguindo o caminho contrário dos planos de saúde médico-hospitalares, os planos exclusivamente odontológicos têm conseguido bons resultados nos últimos anos e aumentado consideravelmente o número de beneficiários. Apenas entre maio e agosto de 2018, os odontológicos registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período, ao passo que os médico-hospitalares tiveram variação de apenas 0,2%, conforme a Nota de Acompanhamento de Beneficiários do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), apresentada no mês de agosto.

De acordo com o advogado especialista em saúde, Elano Figueiredo, o crescimento dos planos odontológicos segue um movimento contínuo e, embora pareça contraditório, impulsionado pela recessão econômica. “Nós estamos diante de um processo de conscientização do brasileiro, quando entende a importância não só do plano de saúde, mas a importância da saúde bucal. E isso tem se dado até mesmo num período de crise e desemprego, já que o preço da mensalidade dos planos odontológicos são menores do que os planos de saúde em geral”, afirma Figueiredo. Segundo dados do Sindicato Nacional de Odontologia de Grupo (Sinog), o ticket médio dos planos odontológicos é de R$ 14,65, enquanto os dos planos hospitalares é de RS 263,60.

Em maio de 2018, os planos odontológicos superaram a marca de 23 milhões de beneficiários. O segmento coletivo empresarial continua a responder pela maior parte dos vínculos, com 16,9 milhões de beneficiários, ou seja, 74,4% do mercado.

Idosos

Embora enfrentem dificuldades, os planos de saúde ficaram no positivo em relação ao aumento do número de beneficiários acima dos 59 anos. Dos 47,3 milhões de beneficiários médico-hospitalares em agosto, mais da metade (29,1 milhões) tinha entre 19 e 58 anos e 6,9 milhões estavam com 59 anos ou mais. Em comparação com o mesmo período de 2017, o número de beneficiários entre 19 a 58 anos caiu 0,3%. A faixa de 59 anos aumentou 2,5% .

“Em épocas de crise, define-se para quem é mais importante o plano de saúde, que nessa caso é o idoso. Houve uma retração de 0 a 18 anos, especialmente no que diz respeito aos dependentes. O brasileiro tem priorizado quem teoricamente precisa ter plano de saúde na família. Além disso, há o processo natural de envelhecimento da população”, explica Figueiredo.