O ano de 2017 não começou bem para, aproximadamente, 200 mil brasileiros. Eles entraram nas estatísticas de beneficiários que perderam o plano de saúde. Segundo levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em janeiro, o setor registrou 47,5 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares. A comparação com o mês de dezembro mostra que houve uma redução de 192,2 mil beneficiários em planos de assistência médica.

Desde 2015, segundo a ANS, o setor perdeu 2,5 milhões de segurados. E esse quadro está diretamente ligado à crise econômica e ao desemprego de mais de 12 milhões de pessoas. No mercado de saúde suplementar, 80% dos planos é de coletivo empresarial, ou seja, é aquele benefício que a empresa oferece aos seus colaboradores ou de coletivo por adesão, aquele que requer algum vínculo associativo com conselho profissional, entidade sindical ou classista. Mais de 80% da queda foi devida a perda de empregos que tinha cobertura de plano de saúde empresarial.

“A crise econômica, além de produzir grande desemprego e, consequentemente, perda do plano de saúde empresarial, também provocou queda nas rendas das pessoas ocupadas, o que dificultou a manutenção do plano por adesão ou individual. Foi um ano difícil para todos. As empresas tiveram que driblar desperdícios e a realização de procedimentos desnecessários com uso de materiais de alto custo, para não levar ao encarecimento dos planos e dificultar o acesso ao benefício”, avaliou Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

Ainda de acordo com a executiva, se este cenário for mantido, a recuperação será lenta. “O emprego somente retoma com algum atraso, o que será refletido no crescimento do número de beneficiários.”

Segundo o levantamento da ANS, nove estados apresentaram aumento de beneficiários em planos de assistência médica na comparação com dezembro: Acre, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Roraima e Sergipe. “Nas regiões em que se observou crescimento de beneficiários a taxa de cobertura era menor, havendo, portanto maior potencial de crescimento. A atividade econômica está se dirigindo a essas áreas, daí o aumento do número de beneficiários”, explicou José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde.

Os estados da região Sudeste, que concentra o maior número de empresas, perderam mais beneficiários. Só no estado de São Paulo, que concentra 40% dos contratos, aproximadamente, 92 mil pessoas ficaram sem assistência.