O cardiologista Jorge Moll Filho tinha 31 anos quando fundou uma clínica de diagnósticos na zona sul do Rio de Janeiro. Hoje, aos 74, Moll acaba de ter seu império hospitalar avaliado em R$ 115 bilhões – a Rede D’Or vai estrear na bolsa como a 10ª companhia mais valiosa da B3, maior do que o Banco do Brasil. Atualmente presidida pelo filho, Paulo Moll, a empresa, que continuará tendo a família como controladora, comanda 52 hospitais, tem outros 32 em desenvolvimento, e uma rede de laboratórios.

IPOs — Foto: Valor

Em uma oferta de ações cobiçada entre os investidores, mesmo com preço considerado nas alturas, a companhia levantou R$ 11,5 bilhões. O valor por ação ficou em R$ 57,92, conforme antecipado pelo Valor PRO, serviço de notícia em tempo real do Valor. De acordo com duas fontes que acompanharam a operação, investidores estrangeiros ficaram com metade da oferta, que teve a participação da gestora americana Capital Group, que já é acionista de Magazine Luiza e Burger King Brasil, e do fundo do megainvestidor George Soros. Entre as casas brasileiras, entraram no IPO gestoras como Atmos, SPX, JGP e XP.

No preço mais baixo, a demanda chegou a 10 vezes a oferta. No valor fixado, estava em pouco mais de três vezes, apurou o Valor. Num cenário de juros baixos e economia patinando, os números da D’Or não passam despercebidos. Além do histórico da administração e da questão demográfica, que tende a aumentar a demanda do setor de saúde, os investidores compraram a história de consolidação.