O setor de saúde movimentou o equivalente a quase R$ 11,7 bilhões este ano, até agosto, por meio de emissões primárias e secundárias de ações, de dívidas, de notas promissórias (NP) e de Certificado de Recebíveis Imobiliário (CRI). Desse total, R$ 1,4 bilhão diz respeito a redes de farmácias e laboratórios de medicamentos, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Se somado aos R$ 21 bilhões que a saúde levantou em 2018 com IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), follow-on (emissão secundária) e debêntures, o setor segue no topo das companhias que enxergam nesses instrumentos um dos mais interessantes para se capitalizar. Isso porque com a taxa de juro básica, a Selic, a 5,5% ao ano, esses papéis tornam-se mais atraentes tanto para as empresas que pagam menos do que se tomassem empréstimo bancário quanto para os investidores, que veem aí uma possibilidade de rentabilizar melhor seus recursos para além do CDI.

Os bancos que estruturam e coordenam tais operações acreditam em onda forte de novas emissões ainda este ano. No pipeline (que indica o termômetro do que está por vir) estão empresas que se preparam para acessar o mercado. A maioria para nova emissão de dívida em condições melhores (prazos maiores e prêmios menores), mas algumas pela primeira vez, em ofertas iniciais de ações ou mesmo em CRIs e debêntures.

Este ano, no mercado doméstico de capitais, 20% de todas as emissões da saúde foram por meio de IPO e follow on e cerca de 50% em debêntures. Dos quase R$ 12 bilhões captados em 18 operações, o BB participou em 28% em quantidade e 31% em volume, garante Fernanda Arraes, executiva da diretoria de mercado de capitais do Banco do Brasil.

Só este ano, em debêntures da saúde, foram 15 operações, com captação de R$ 6,4 bilhões até agosto. O BB participou de 13% delas e 33% no volume. Olhando para frente, o banco se diz otimista e aponta que o mercado está ativo e ainda há boa demanda por crédito de qualidade. A área da saúde costuma oferecer os melhores ratings e operações qualificadas como triple A. No nosso pipeline já somos mandatários para quatro operações, com volume de R$ 1,6 bilhão que devem vir a mercado, diz Fernanda.

A gente é líder em emissão de CRI para este setor. Fizemos seis operações entre 2018 e 2019, captando R$ 2,5 bilhões. Estamos trabalhando em uma nova transação agora. Um hospital que ainda não emitiu, afirma José Paulo Scheliga, responsável pela área de renda fixa do Banco Safra, que coordenou 70% das ofertas deste certificado, com R$ 1,8 bilhão. O executivo diz que em seu pipeline tem mais R$ 500 milhões de operações de CRI para este ano na saúde e avalia que essas emissões que hoje são usadas com frequência por hospitais em expansão podem se tornar boa alternativa também para as farmacêuticas na captação de recursos mais barato para construção de novas plantas.

As farmacêuticas têm sido negociadas em múltiplos bem interessantes também para equities e devem ocorrer lançamento e novas emissões para este e para o próximo ano, indica Scheliga.

O Safra começou em 2017 a trabalhar junto a alguns advogados para aprovar conceitos de CRI com destinação para construir imóveis no setor da saúde. Uma das últimas foi para a construção da Rede DOr e da nova ala do Hospital Sírio Libanês, além da faculdade de medicina do Albert Einstein.

A primeira emissão da Rede DOr saiu a 99% do CDI. É bom porque é isento de IR, explica o executivo. No pipeline do Safra tem quatro operações de CRI e debêntures do setor de saúde ainda para este ano.

Já o Santander alerta que esta é uma indústria que tem crescido muito e passado por consolidação o que cria oportunidades de negócios tanto em mercado de capitais quanto em banking de um modo geral.

A minha área é de mercado de capitais para dívida local e internacional. Nos últimos 12 meses até agosto, essas ofertas na saúde totalizaram R$ 12 bilhões no país e o Santander participou de 26% delas. Foram 20 operações e o Santander este em seis, diz Sandro Marcondes, diretor do banco espanhol no Brasil. Dessas, uma foi farmacêutica. Executamos este ano 110 mandatos de emissão de dívida e temos outros 40 mandatos pela frente. O setor de saúde representa entre 7% a 10% disso. É um setor com muita atividade e que tem muita demanda. As empresas estão bem ativas e isso deve continuar, diz.