“Nos próximos cinco anos, vamos ver principalmente uma quebradeira de planos de saúde e de prestadores de serviços também”. A declaração é de Irene Hahn, CEO e fundadora da Qualirede, empresa especializada em gestão de planos de saúde, e vem após a Unimed-Rio, que passa por crise financeira e institucional, propor a contratação de um empréstimo de cerca de R$ 340 milhões com o Santander, tendo como avalista o sistema Unimed.

Convidada para falar sobre “Cases de Sucesso em Gestão de Planos de Saúde” no I Congresso Latino Americano de Auditoria em Saúde, a especialista defende como única saída para a “delicada” situação da saúde privada a implantação de um novo modelo de gerenciamento de cuidados do paciente. “Nós temos na área de saúde até 40% de desperdício, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), seja porque repetimos exames, seja pela falta de qualidade dos procedimentos ou porque somos ainda muito carentes em gestão de fato”.

Para Reynaldo Rocha, diretor médico da Duomed, a crise econômica e a difícil manutenção financeira da saúde no Brasil exige mudanças. “Se a gente tivesse um modelo onde a remuneração fosse centrada no que é entregue de qualidade ao paciente, no que faz com que ele não adoeça, o recurso seria melhor alocado. Além desse recurso ser pequeno, a gente ainda gasta mal”, critica.

Um dos grandes problemas que Reynaldo visualiza é que, a cada dia, os cuidados ao paciente estão cada vez mais atrelados a novos medicamentos ou a dispositivos implantáveis, fazendo com que os custos com saúde cresçam “de forma absurda”. “Por que não há vários prestadores apostando em prevenção, mas tem diversos hospitais e clínica? Porque a prestação de serviço em prevenção não é rentável. Só é na alta complexidade”.

Tecnologia
Ao mesmo tempo em que tem possibilitado a produção de novos dispositivos implantáveis e de novas drogas capazes de trazer respostas clínicas mais eficientes para os pacientes, a tecnologia vem agregar maior valor e tornar mais caros os tratamentos. Com a queda no número de usuários dos planos de saúde, a demanda por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) tende a aumentar. “Isso vai trazer impacto porque são tratamentos caros e o nosso sistema público não se atualizou, continua tratando pacientes da mesma maneira que há 20 anos. Não há interesse de adequar as políticas de saúde pública a uma nova realidade”, analisa Emmerson Eulálio, graduado em medicina com residência médica em clínica médica e hematologia e hemoterapia. Ele foi convidado para abordar no Congresso os “Avanços no tratamento tratamento do mieloma múltiplo após uma década sem inovação”.

O acesso aos tratamentos e drogas mais caras, segundo ele, vão acabar ficando disponíveis apenas para os pacientes que procurarem seus direitos por meio judicial e devem acontecer com frequência cada vez maior. “A judicialização vai continuar acontecendo. De alguma maneira, os pacientes precisam se organizar, pressionar os políticos a mudar a forma como essas novas drogas são aprovadas no Brasil. Elas precisam estar disponíveis no SUS para que os pacientes possam ser tratados”.