Para a presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes, a informação é uma alavanca essencial para avanços nas questões referentes à saúde. “É muito importante, portanto, que a universidade seja uma parceira na disseminação da cultura, dos dilemas e do valor da saúde suplementar”, ressaltou a executiva, durante debate realizado pela Associação Internacional de Direito de Seguro (AIDA) em parceria com o Grupo de Pesquisa BIOS da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na terça-feira (20/9).

Formado por pesquisadores em bioética e biodireito, o público do encontro teve a oportunidade de acompanhar a palestra da presidente da FenaSaúde sobre  ‘Presente e futuro da saúde suplementar no Brasil: necessidade de mudança no custeio dos serviços médicos-hospitalares’. Solange Beatriz destacou os números do setor para ilustrar sua relevância na sociedade. Em 2015, o segmento registrou uma arrecadação de R$148,3 bilhões e realizou, aproximadamente, 1,4 bilhão de procedimentos. Atualmente, conta com 48,5 milhões de beneficiários – apenas em planos de assistência médica. Entre os principais desafios, Solange apontou a elevação dos gastos como um dos mais preocupantes. Se em 2000, o custo dos benefícios de saúde na folha de pagamento estava na ordem de 10%; em 2015, saltou para 11,57%. Outro dado que mostra o impacto da elevação das despesas assistenciais é a chamada inflação do setor. Entre 2007 e 2016, a inflação médica alcançou 228,46%, enquanto que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 74,74%.

A presidente da FenaSaúde apontou o combate ao desperdício como outro ponto-chave do setor. De acordo com a executiva, 30% do que é gasto na saúde do Brasil é desperdício. Em paralelo, a transição demográfica também é um fator preocupante, como aponta Solange Beatriz. A previsão é que, em 2050, 29,4% da população ou 66 milhões de brasileiros terão mais de 60 anos de idade. “Com relação ao envelhecimento da população, percebemos que essa também é uma preocupação da comunidade científica e da academia. O envelhecimento não pode ser considerado um problema, faz parte da evolução do ser humano. Precisamos encontrar soluções em conjunto.”, destacou Solange Beatriz, que complementa: “É importante a academia estar se aproximando das discussões que envolvem a saúde suplementar”.

Os demais temas abordados durante o encontro foram: ‘Direitos Humanos, Democracia e Relações Privadas na Saúde’, com Maria Garcia, coordenadora do MBA em Gestão e Direito Educacional da PUC/SP; ‘Os Aspectos Jurídicos da Saúde Pública e Suplementar no Brasil, o Ressarcimento ao SUS e outras questões polêmicas’, com Jaqueline Suryan, advogada em Seguros, Resseguro e Previdência Privada; e ‘A Aplicação do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana como Fundamento das Decisões Judiciais de Saúde Suplementar’, com Angélica Lucia Carlini, consultora e integrante da Comissão de Relações de Consumo da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

“Foi um evento muito positivo, principalmente pelo nível excelente do debate. Esse foi o primeiro encontro que fazemos em conjunto com uma universidade. Pretendemos continuar essa parceria, pois o que também almejamos é trazer a informação de saúde suplementar para o meio acadêmico”, garantiu Milena Fratin, presidente do Grupo Nacional de Trabalho de Saúde Suplementar da AIDA.