Depois de perder quase três milhões de beneficiários nos últimos três anos, o setor de saúde suplementar espera pequena melhora em 2018 e conta com a retomada do emprego para isso, já que os contratos coletivos firmados por empresas somam 67% do total.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o número de usuários chegou a 47,4 milhões em fevereiro, 54.041 mil a mais do que o total de janeiro, mas 36.559 a menos em relação a fevereiro de 2017. “Os analistas esperam que a taxa de desemprego diminua, mas ainda fique em dois dígitos este ano. Portanto, esperamos uma retomada no setor, embora ainda não tão expressiva”, diz o diretor-presidente e diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Leandro Fonseca.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) espera aumento entre 1,5% e 3% no número de beneficiários e de 12,2% nas receitas de contraprestações (valor pago pelos contratantes às operadoras). Para a entidade, a viabilidade econômica da operação depende cada vez mais de escala para diluir custos e reduzir as oscilações das despesas assistenciais, levando a uma tendência de aumento das exigências da ANS com relação às provisões.

Segundo a presidente da entidade, Solange Beatriz Palheiro Mendes, 85% dos custos das operadoras são “não gerenciáveis”, ou seja, de difícil previsão. Ela coloca nessa conta tanto custos ligados aos serviços assistenciais, como de judicialização, desperdício e fraudes. “Temos que avaliar esses fatores que impulsionam a elevação dos custos. A solução depende de todos os players do setor, e não apenas das operadoras”, diz ela.

Racionalizar gastos e uso de procedimentos é um desafio geral dos sistemas de saúde, diz José Sestelo, membro da Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). “A fragmentação da oferta promovida pelo esquema de intermediação assistencial dos planos de saúde só aumenta os custos de transação”, diz.

A despeito de custos e dificuldades macroeconômicas, grandes empresas do setor, como a Bradesco Saúde, que tem 3,7 milhões de segurados, esperam fechar o ano com resultado semelhante ao do ano passado.

Em 2017 a empresa teve lucro líquido de R$ 470 milhões e aumentou suas reservas em cerca de R$ 1,1 bilhão, que agora estão em R$ 9 bilhões, informa o diretor geral Manuel Peres. “A tendência de alta de custos é mundial e nossa estratégia para lidar com isso é nos aproximar da rede de prestadores como laboratórios e hospitais para combinar uma mudança no modelo de remuneração”, diz. “Temos que usar tecnologias de análises de dados para avaliar, por exemplo, quais internações têm chances de ser de maior permanência”, acrescenta.

A expectativa na SulAmerica, que no fim do ano passado ultrapassou 3 milhões de clientes, também é de otimismo, segundo Raquel Giglio, diretora técnica e de relacionamento com clientes. Em 2017 a empresa registrou aumento de 13,1% em receitas, totalizando R$ 3,6 bilhões. “Neste ano apostamos em iniciativas de saúde preventiva como o aplicativo Sharecare.

A ferramenta ajuda o usuário a ter estilo de vida mais equilibrado ao monitorar condições de saúde e engajá-lo em atividades de autocuidado”, conta. Outra ação nesse sentido é o programa Pediatra em Casa. “Isso reduz a ida de crianças a pronto socorro, evitando a exposição a ambientes contaminados e diminui custos, já que o atendimento em pronto socorro é mais caro que uma consulta”, diz.

Com 400 cooperativas no país, o sistema Unimed perdeu dois milhões de beneficiários nos últimos dois anos, somando hoje 18 milhões. “A tendência este ano é de equilíbrio pela melhora das condições econômicas. Nosso sistema de monitoramento das cooperativas singulares e mostra que elas já estão se recuperando”, afirma.