A saúde mental é um tema que tem ganhado visibilidade e está lentamente se afastando de uma série de preconceitos. Contudo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 35% e 50% das pessoas com transtornos mentais em países de alta renda não recebem tratamento adequado e, nos países de baixa e média renda, o porcentual é ainda maior, ficando entre 76% e 85%.

Ainda de acordo com a OMS, a cada 45 minutos, uma pessoa comete suicídio no Brasil e 90% das vezes o caso está associado a algum distúrbio mental. Na saúde suplementar brasileira, o cuidado e o debate sobre a questão estão avançando, mas ainda há um longo caminho pela frente. Desde 2011, o total de iniciativas em saúde mental inscritas no programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos de Doenças (Promoprev), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), avançou de 3 para 42, atendendo cerca de 29,5 mil beneficiários. Os números, entretanto, estão longe do total de 1,9 mil programas inscritos no Promoprev e das 2,3 milhões de vidas assistidas por eles.

Se ainda há muito o que avançar nessa frente, ao menos podemos afirmar que os tratamentos estão cobertos pelo Rol de procedimentos, que prevê consultas psiquiátricas em número ilimitado, internação hospitalar, atendimento e acompanhamento em hospital-dia psiquiátrico, consulta com psicólogo e com terapeuta ocupacional, além de sessões de psicoterapia.

E os dados do Mapa Assistencial indicam que esses serviços têm sido cada vez mais utilizados. O total de consultas psiquiátricas cresceu 63% entre 2011 e 2018, saindo de 3 milhões para 4,9 milhões. No mesmo período, as sessões com psicólogos tiveram um avanço ainda mais expressivo, de 7,1 milhões para 17,5 milhões. Alta de 146%. Enquanto isso, o total de consultas com terapeutas ocupacionais chegou a 1,9 milhão; a quantidade de internações psiquiátricas, a 196,3 mil; e, a de internações em hospital-dia, a 99,9 mil.

Mesmo se considerarmos que a quantidade de vínculos com planos médico-hospitalares cresceu entre os anos analisados, passando de 46 milhões para 47,3 milhões, o incremento no uso desses serviços é considerável e indica o começo de uma mudança de raciocínio e o reconhecimento, inclusive por parte da sociedade, de que a saúde mental não é motivo para vergonha, mas exige cuidados como o restante do corpo. Talvez até mais.