Os resultados da SulAmérica no quarto trimestre foram impactados pela aceleração na retomada de procedimentos que haviam sido adiados nos momentos mais críticos da pandemia, mas também devido à segunda onda de covid-19, afirmaram os executivos da companhia em teleconferência de resultados.

Outro fator que pesou sobre o lucro no ano foi a queda do resultado financeiro devido ao ambiente de juros baixos e a volatilidade dos mercados em 2020, apontou o vice-presidente de controle e relações com investidores, Ricardo Bottas.

Segundo a vice-presidente de saúde e odonto, Raquel Giglio, a retomada do procedimentos represados no segundo e terceiro trimestres acelerou no último período do ano passado. “O número de frequência foi bastante acima do usual”, disse. Além desse efeito, os tratamentos devido à covid-19 continuaram intensos, conforme a segunda onda avançou. “Somou-se a isso a segunda onda da covid-19, que não originou redução significativa dos procedimentos eletivos como foi visto na primeira onda.”

Apesar do recrudescimento da pandemia, Raquel afirma que o índice de sinistralidade está “totalmente sob controle”, muito próximo de trimestres regulares no passado.

Em 2020, o impacto dos atendimentos de beneficiários da SulAmérica diagnosticados com covid-19, incluindo internação, somou R$ 810 milhões. Junto com os R$ 30 milhões de indenizações dos produtos de seguro de vida, o custo representou um impacto de 4,4 pontos percentuais sobre o índice de sinistralidade.

Para a vice-presidente de saúde e odonto, “a gente ainda está vivendo um contexto de pandemia, com números de internação bastante altos e longe de entrar de novo na normalidade”.

O mercado de planos de saúde também vive um momento de acirramento de competição. “Quando se tem uma situação com desemprego subindo e com crise econômica isso traz uma dinâmica mais desafiadora do que simplesmente dizer que vamos aumentar preço”, afirmou Bottas.

Conforme o executivo, a estratégia da companhia tem sido a de retenção e aumento da base de clientes. “Nosso foco é reter clientes, não fazer reajustes maiores, temos todo um trabalho de fidelização.”

Em relação ao resultado financeiro, que em 2020 recuou 73,2% ante 2019 para R$ 123,6 milhões, o vice-presidente de controle afirmou enxergar potencial recuperação da linha em 2021. “A gente está confiante que o resultado financeiro tem expectativa positiva para 2021”, disse Bottas.

Segundo o executivo, neste ano a companhia “tem mais espaço para tomar risco saindo de posições pós-fixadas para entrar em prefixadas”. “Acredito efetivamente num ano de recuperação do efeito do vale de financeiro.”