Um peso pesado do mercado financeiro assinou um contrato com a Unimed-Rio para viabilizar a venda de ativos e bens da operadora de saúde. Com mais de 850 mil clientes, a cooperativa enfrenta uma grave crise financeira e dívidas que somam, segundo associados, R$ 1,8 bilhão. De acordo com o plano de saúde, os ativos prioritários para a negociação são o Hospital Unimed-Rio e a sede administrativa, ambos na Barra da Tijuca. O Santander foi escolhido porque atuou na recuperação da Unimed-ABC, em São Paulo. Segundo fontes do setor, a operação é considerada um projeto-piloto, que terminou com a venda dos ativos da cooperativa paulista para a Notre Dame Intermédica.

No total, foram negociados um hospital, com 110 leitos, duas unidades pronto-atendimento e cinco centros clínicos, mas a operação envolveu, também, a alienação da carteira de clientes. A Unimed-Rio, no entanto, rechaça a venda de sua carteira de clientes.

— A negociação dos ativos da Unimed-Rio é muito mais complexa até pelo número de usuários, que é muito maior do que a do ABC, mas foi a primeira vez que se conseguiu fazer um negócio deste tipo — disse uma fonte do setor.

A Unimed-Rio informou que conseguiu reequilibrar o caixa mensal e normalizou o atendimento. Em alguns casos, porém, usuários vêm recorrendo à Justiça para garantir tratamentos. Foi assim que a estudante Janine Nunes, de 21 anos, conseguiu fazer um procedimento para tratar um câncer muscular.

— Fiz quimioterapia por dois meses, mas a doença se agravou, comprometendo meu braço. Mas o plano não cobriu e entramos com uma ação judicial.

Cooperados se mobilizam

Médicos cooperados promoveram um encontro, na Praia de Copacabana, no fim de semana, para mostrar que os profissionais estão empenhados no atendimento dos pacientes e querem a recuperação financeira da empresa. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomendou um aporte na ordem de R$ 500 milhões pelos médicos credenciados, mas, em assembleia, os cooperados não rejeitaram a proposta.

— Tudo está sendo feito para um enxugamento da empresa. A verdade é que a grande maioria dos cooperados não tem condições de aportar mais recursos. Já estávamos sendo descontados em 30% nas consultas. Cada médico teria uma dívida. No meu caso, pediram R$ 86 mil. Quem tem este dinheiro para pagar à vista? Mas nós continuamos trabalhando e atendendo os pacientes — disse a médica Camen Sonia Carvalho, que organizou a mobilização.