Às voltas com um passivo de R$ 1,9 bilhão, a Unimed-Rio estuda, no médio prazo, vender parte do seus ativos – avaliados em R$ 1 bilhão – para quitar débitos. Com uma carteira 828 mil beneficiários, a Unimed-Rio enfrenta um impasse causado pela rejeição de seus cooperados à proposta de aportar R$ 500 milhões na cooperativa de saúde, em assembleia encerrada na madrugada de quarta-feira. A injeção de recursos pelos cooperados seria uma forma de reduzir o endividamento.

De acordo com a assessoria de imprensa da cooperativa, muitos médicos estão procurando a Unimed-Rio para fazer um aporte voluntário, mesmo diante da decisão da última assembleia de manter o desconto de 30% na produção médica (valor recebido mensalmente por consultas, cirurgias e outros procedimentos). “Esse aporte representará uma entrada importante de recursos e abaterá parte ou a totalidade da dívida de cada médico com a cooperativa, de acordo com a escolha feita”, ressaltou a Unimed-Rio.

Em julho, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já havia informado que a solução para os problemas financeiros da Unimed-Rio passava necessariamente pelo aporte. Procurada, a ANS optou por não se manifestar sobre o tema. Mas uma fonte que acompanha o calvário financeiro da Unimed-Rio e prefere não ser identificada destacou que qualquer posicionamento mais explícito da ANS – seja uma notificação ou a decretação de liquidação extrajudicial – poderia piorar a situação da cooperativa, gerando fuga de beneficiários.

Segundo a cooperativa, a alienação de ativos é uma possibilidade “a partir do momento em que a desmobilização represente a entrada efetiva de novos recursos para o caixa e não traga perda de valor para as negociações”. A Unimed-Rio admitiu negociações para viabilizar outras alternativas que equacionem sua situação financeira mas acrescentou que não comentaria estas oportunidades “para não gerar interferências na condução de cada caso.”

A Unimed-Rio destacou ainda que a maior parte dos custos da cooperativa está relacionada à prestação de serviços assistenciais. Entre as principais medidas adotadas para reduzir custos dessa natureza estão a negociação com fornecedores médico-hospitalares e a constituição de comitês de especialidades médicas. Nos últimos 30 dias, essas medidas resultaram numa redução de 86% para 78% da sinistralidade (relação entre os custos médicos e as receitas de uma operadora) da cooperativa, conforme informado pela Unimed-Rio. A meta é alcançar o patamar de 75%.