A Unimed-Rio acaba de fechar um contrato exclusivo de assessoria financeira com o banco Santander que será responsável pela comercialização de ativos da cooperativa, medida contemplada pelo plano de saneamento apresentado à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo o diretor Financeiro da operadora, William Galvão, o contrato vinha sendo negociado há 30 dias com o banco, que realizou uma avaliação prévia da viabilidade da cooperativa. Serão necessários ao menos outros 30 dias, acrescenta, para que possa ter alguma perspectiva de negócio.

— Primeiro o Santander fará uma avaliação dos ativos, para identificar as potenciais operações e posteriormente os investidores. Não se fecha esse tipo de negócio da noite para o dia e sem uma assessoria profissional — destacou Galvão.

PRESTADORES FARÃO CONTRAPROPOSTA

O principal ativo da cooperativa carioca hoje é o hospital, na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, avaliado em cerca de R$ 700 milhões.

— No caso do hospital, podemos vender o imóvel e a operação. São duas negociações, temos que ver a melhor alternativa — disse o diretor financeiro.

Questionado sobre a possibilidade da compra do prédio pelo Sistema Unimed, que arrendaria o imóvel para manter a operação a Unimed-Rio, ele afirmou não haver nenhum acordo firmado nesse sentido.

— Essa seria uma alternativa até viável, mas não se conversou sobre isso ainda — disse Galvão.

Além do hospital, a cooperativa tem sete dos nove blocos do condomínio empresarial onde tem sede, na Barra, imóveis no Centro e em Benfica.

Segundo Galvão, a Unimed-Rio precisa apenas de duas coisas para sair da crise:

— Precisamos de dinheiro, claro, e de tempo. Se eu tiver dinheiro, compro o tempo. E esse tempo quem pode me dar são as autoridades públicas.

Foi entregue a prestadores de serviços da cooperativa (hospitais, clínicas e laboratórios) e ao Sistema Unimed uma minuta de um termo de ajustamento de conduta (TAC) que tem como principal objetivo garantir o atendimento dos mais de 800 mil usuários da operadora. A assinatura desse termo seria uma das condições impostas por ANS, Ministérios Públicos Federal e Estadual e Defensoria Pública do Estado do Rio para que a empresa tenha mais 90 dias para colocar o plano de saneamento em ação, principalmente as contas.

— Todos estão juntos para que a Unimed não quebre, mas o termo, que é sigiloso, traz cláusulas que nós tememos não conseguir cumprir, pois não dependem diretamente da nossa atuação. Por isso, nossos departamentos jurídicos estão estudando minunciosamente o documento para fazer uma proposta — afirmou Boigues.

Galvão reconheceu o apoio dos prestadores e as dificuldades contidas no documento:

— O sarrafo está muito alto, tem que baixar um pouco para que se possa pular para o outro lado.

PROGRAMA VOLUNTÁRIO ARRECADOU R$ 17,5 MILHÕES

O diretor Financeiro da Unimed-Rio disse ainda que já vê uma mudança na postura dos cooperados. O programa voluntário de pagamento da dívida, contou, recebeu até a noite de quarta-feira, R$ 17,5 milhões, de 510 cooperados.

— E as ligações e pedidos de informações não param. Acreditamos que com as medidas que estamos tomando e com os resultados que vão começar a aparecer esse número aumente. Precisamos do aporte do cooperado, primeiro, porque precisamos de dinheiro, mas também, por que é uma sinalização importante de que o sócio confia na operadora — ressaltou Galvão, acrescentando que os valores pagos pela produção médica ainda não foram quitados. — Pretendemos fazer isso o mais rápido possível, mas isso aqui não é uma empresa é uma cooperativa.