RIO – Sob direção fiscal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) há dois anos e sob risco de ser liquidada, a Unimed-Rio corre contra tempo para reequilibrar as finanças e manter suas atividades. O destino da cooperativa de saúde carioca será decidido nesta terça-feira, quando seus médicos participam de assembleia para deliberar sobre os balanços financeiros de 2014 e 2015.

A aprovação desses relatórios, além do rateio de perdas, é condição para manter o termo que assegura 90 dias de trégua à cooperativa, ficando protegida contra liquidação, desde que garanta atendimento a seus 800 mil beneficiários e crie condições para a recuperação da empresa.

O Termo de Compromisso, capitaneado pelo Ministério Público do Estado do Rio, foi assinado no mês passado, reunindo, além da operadora, ANS, entidades representativas de hospitais, clínicas, laboratórios clínicos e regionais do sistema Unimed. Esta semana, foi validado pela rede prestadora de serviços da cooperativa. Prevê ainda aporte mensal dos cooperados no valor de R$ 10 milhões. E também o refinanciamento em 60 meses das dívidas da cooperativa.

Na semana passada, a operadora anunciou ter registrado um prejuízo de R$ 578 milhões em 2014 — resultado que já foi revisto este ano e bem acima dos R$ 199 milhões negativos inicialmente divulgados — e um lucro de R$ 30 milhões em 2015, ao invés de um resultado positivo de R$ 353 milhões conforme apresentado anteriormente. Os valores foram contabilizados após nova auditoria nas demonstrações realizada pela BKR. O passivo da Unimed-Rio soma R$ 1,9 bilhão.

 
A situação da operadora se agravou em outubro, quando a ANS recomendou a venda da carteira de beneficiários em 30 dias. Na época, fontes do setor informaram que a expectativa da agência reguladora era de que o Sistema Unimed apresentasse uma solução interna para atender os usuários da cooperativa, caso a recuperação não funcione.

Em outubro, contratou o banco Santander como assistente financeiro para atuar na captação de interessados em adquirir ativos da operadora, como hospital e postos de atendimento, por exemplo, para reduzir o endividamento. Em paralelo, num esforço para sanear as contas, os médicos cooperados já colaboram com um desconto de 30% no pagamento de sua produção mensal. Na assembleia de terça, a direção vai propor que esse percentual suba para 31% ou 32%.

Segundo Romeo Scofano, presidente da empresa, dos R$ 200 milhões que a Unimed-Rio devia às cooperativas do sistema, mais de R$ 120 milhões foram renegociados para pagamento em 60 meses, com a assinatura do Termo de Compromisso. A maior dívida, disse ele, era com a Federação das Unimeds do Rio, de R$ 80 milhões, seguida pelas da Central Nacional das Unimeds e da Unimed Brasil.