Das 345 Unimeds existentes no país, 26 serão afetadas por uma fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica (GNDI), cujas negociações estão em andamento. O levantamento feito pela Unimed do Brasil, associação que reúne as cooperativas médicas, considera aquelas praças em que as Unimeds vão perder participação de mercado de imediato e também as cidades onde uma das duas operadoras já está presente e, com a combinação de negócios, terá mais condições de expansão.

O estudo, com 52 páginas, foi enviado às Unimeds com propostas para blindar a expansão de Hapvida e Intermédica em suas respectivas regiões. Entre as ações sugeridas estão a melhora no relacionamento com prestadores de serviço locais, como hospitais e clínicas, tendo em vista que as operadoras possuem rede própria e com isso podem ser vistas como concorrentes.

“Em muitas regiões, as Unimeds têm sido o principal cliente, mas com a chegada de um grande player, esse mercado se tornará mais concorrido e os prestadores vão tirar proveito disso. Por outro lado, como essas operadoras são altamente verticalizadas, elas também podem roubar mercado dos prestadores, o que tornaria ao prestador ainda mais estratégico o fortalecimento da parceria com a Unimed local”, informa trecho do documento desenvolvido pela Unimed Brasil. A cooperativa destaca ainda a importância de adotar novos formatos de remuneração em que o risco do sinistro é compartilhado com os prestadores de serviço.

O documento também sugere a criação de planos de saúde de baixo custo (segmento atendido pelas duas operadoras verticalizadas) e outros produtos que atendam a base da pirâmide como, por exemplo, cartões saúde e plataformas que oferecem serviços de saúde. Esses novos produtos, que não são convênio médico, seriam um mecanismo para atrair mais médicos cooperados. “Esses produtos além de terem o potencial de aumentar a demanda dos consultórios, também possuem liquidez maior, pois o pagamento é feito direto ao prestador, além disso, o médico ainda ganha com as sobras da cooperativa no fim do exercício, pois a empresa que opera o Cartão contrata a rede da Unimed Operadora e devolve todo o resultado para a operadora, cobrando apenas uma taxa administrativa e os custos com publicidade”, segundo o documento.

As ações passam ainda por desenvolvimento de convênios médicos personalizados a grandes clientes empresariais, com oferta de serviços como gestão da saúde dos funcionários, instalação de unidades dentro das companhias, entre outros.

Segundo o levantamento, entre as 26 cooperativas médicas afetadas com uma possível fusão das duas maiores operadoras de planos de saúde do país, 4 vão perder a liderança em suas respectivas regiões. São elas: Fama (no Amazonas), cuja participação de mercado é de 16%, contra 26% da companhia combinada; Unimed Alfenas, em Minas Gerais, que tem hoje um ‘market share’ de 38%, ante 46% do novo concorrente; além da Unimed em Joinville (SC), com fatia de 28% frente a 32% das operadoras verticalizadas; e da Unimed Planalto, de Goiás, que tem participação de mercado de 4%, contra 6% do novo conglomerado.

As outras 22 cooperativas médicas afetadas pela possível fusão são: as Unimeds Sudoeste, Costa do Descobrimento, Itabuna e Extremo Sul (Bahia) e Imperatriz (Maranhão), que continuam líderes em suas cidades, mas ameaçadas por conta da recente aquisição da operadora Medisanitas, pela Intermédica no ano passado, que tem presença nessas regiões.

O mesmo raciocínio vale para as cooperativas médicas Inconfidentes, Ituiutaba, Uberlândia, Belo Horizonte, Norte de Minas, Conselheiro Lafaiete, Sete Lagoas, Itabira, Itaúna, Guaxupé Gerais de Minas e Patrocínio (MG). Hapvida e GNDI são donas das operadoras mineiras Promed, Premium Saúde, Medisanitas e RN Saúde, que podem expandir por todo o Estado de Minas Gerais.

Em São Paulo, as Unimeds São José dos Campos e Caçapava também são consideradas impactadas, porque em ambas as cidades há a presença do grupo São Francisco, operadora do interior paulista adquirida por R$ 5 bilhões pela Hapvida em 2019.

Até a Unimed Vitória, que detém 33% de ‘market share’ contra apenas 2% de Hapvida e Intermédica juntas, foi listada como uma cooperativa passível de sofrer concorrência. “No Estado do Espírito Santo, esse impacto se deve pela compra da Premium Saúde pela Hapvida e o crescimento orgânico do GNDI”, informa o documento, que também cita a Central Nacional Unimed no Distrito Federal.

Procurada pela reportagem, a Unimed do Brasil informou por meio de nota “que tem sempre em vista sugestões de melhorias na gestão das diversas unidades, e entende que essa é uma prestação de serviços importante para todo o sistema Unimed.”