O número de pessoas com planos de saúde na RPT (Região do Polo Têxtil) cresceu 9,36% nos últimos três anos. O total de beneficiários saltou de 391.589, em novembro de 2020, para 428.243, no mesmo período do ano passado, uma diferença de 36.654 adesões.
As informações foram compiladas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), órgão responsável por fiscalizar e regular os planos de saúde, a pedido do LIBERAL.
Economista e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, Roberto Brito de Carvalho atribui a alta ao processo de geração de empregos. De acordo com ele, o aumento de trabalhos formais, inevitavelmente, leva ao crescimento da carteira de planos de saúde no coletivo empresarial.
“Grande parte das pessoas que passou a ter plano é fruto de ter arrumado um emprego formal e as empresas, muitas delas, acabam concedendo esse benefício, inclusive, em alguns casos, impostos pelo dissídio coletivo”, afirma.
O economista também chama atenção para um outro tipo de relação com o trabalho que tem contribuído para o aumento do número de beneficiários de planos de saúde na região. Trata-se dos MEIs (Microempreendedores Individuais).
“Muitos que não conseguiram voltar para o mercado de maneira convencional abriram empresas como MEI justamente com a finalidade de poder contratar um plano de saúde a preços mais baixos”, explica.
O mercado de saúde suplementar no Brasil é dividido em três grandes grupos: familiares e individuais, coletivo empresarial e o de adesão. “O plano de saúde individual e familiar normalmente apresenta valores mais altos, são mais caros tendo em vista a regulação a que são subordinados. Enquanto que no plano coletivo empresarial há uma tendência de um preço um pouco menor”, explica.
A demanda reprimida do SUS (Sistema Único de Saúde), que foi agravada nos últimos dois anos por conta da pandemia da Covid-19, também pode incitar a contratação de um plano de saúde. Porém, enfatiza o economista, é necessário que a pessoa tenha renda.
“E grande parte da população não está em condições para isso”. A secretária Thaiana Cristina de Araújo, de 37 anos, contratou um plano de saúde em janeiro do ano passado para se sentir mais segura quando precisar passar por um pronto socorro, fazer exames e, se necessário, internação. Ela também queria conseguir consultas em um tempo mais curto que no sistema público.
“Para algumas especialidades é mais demorado conseguir consulta, mesmo com plano. E dependendo do tipo de exame, também. Mas para internação, me sinto mais segura quanto ao número de vagas”, diz.
Thaiana mora em Santa Bárbara d’Oeste, município da RPT que registrou menor crescimento no número de beneficiários entre os anos de 2020 e 2022. O total saltou de 79.387 para 84.475, um aumento de 6,4%.
Hortolândia teve o maior salto, passando de 72.355, em 2020, para 81.608, no ano passado, um crescimento de 12,7%. Na sequência está Nova Odessa com alta de 12% no período. A quantidade de moradores com planos saiu de 22.515 para 25.235.
Sumaré aparece em terceiro lugar na RPT com crescimento de 10,15% no número de beneficiários. O total saltou de 96.460, em 2020, para 106.253, no ano passado. No mesmo período, Americana viu a adesão a planos de saúde aumentar 8,10%. A quantidade passou de 120.872 para 130.672.