A Unimed do Brasil e a Unimed Ferj assinaram nesta segunda-feira um acordo de compartilhamento de risco que transfere, a partir de 20 de novembro, a responsabilidade pela assistência dos cerca de 350 mil beneficiários da Ferj em todo o país, informa Lauro Jardim, em O Globo.
O entendimento só avançou após uma série de reuniões tensas envolvendo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Defensoria Pública. Esses órgãos vinham pressionando as operadoras a apresentar uma solução definitiva para a instabilidade na rede, especialmente após denúncias de interrupções de tratamentos oncológicos, o que levou a ANS a exigir o restabelecimento imediato desses atendimentos.
Acordo nacional sai após semanas de impasse
O encontro decisivo ocorreu em 10 de novembro. Na reunião, a Unimed do Brasil – que funciona como operadora nacional e estrutura de coordenação do sistema Unimed – aceitou formalmente assumir o atendimento dos usuários da Ferj. O movimento foi considerado fundamental para barrar o risco de colapso e recuperar a previsibilidade da rede assistencial.
A assinatura do contrato sela o chamado compartilhamento de risco entre as duas operadoras. Na prática, significa que a Unimed do Brasil passa a coordenar, financiar e garantir a cobertura dos pacientes vinculados à Ferj, enquanto a cooperativa fluminense tenta reorganizar seus processos internos e ajustar sua sustentabilidade financeira.
Rede deve ser estabilizada gradualmente
Com aproximadamente 350 mil beneficiários espalhados por vários estados, a rede da Unimed Ferj vinha apresentando atrasos frequentes em autorizações, dificuldades de pagamento a prestadores e suspensão de serviços essenciais. Parte dessa instabilidade já estava sendo monitorada diretamente pela ANS, que havia emitido determinações para que a operadora retomasse a assistência aos pacientes oncológicos.
Agora, com a entrada da Unimed do Brasil na linha de frente do atendimento, a expectativa é de que hospitais, clínicas e laboratórios voltem a operar sem interrupções. Até o fim de novembro, a rede compartilhada deve entrar em plena atividade, segundo o planejamento discutido com os órgãos de fiscalização.
Órgãos de controle vão acompanhar a execução
A solução não encerra o acompanhamento das instituições que mediaram o acordo. MPF, MPRJ e Defensoria pretendem seguir monitorando a execução para garantir que o novo arranjo cumpra o objetivo principal: impedir que milhares de usuários fiquem descobertos em meio a tratamentos contínuos, muitos deles de alta complexidade.
A ANS também continuará supervisionando o processo, sobretudo na área oncológica, onde há maior sensibilidade quanto à continuidade do atendimento. A própria agência havia determinado que a Ferj restabelecesse imediatamente a cobertura desses pacientes após relatos de interrupções.
Reviravolta tenta evitar agravamento da crise
A articulação do acordo vinha sendo vista como urgente no setor. Sem uma solução, havia risco de judicialização em massa e até de decretação de intervenção na operadora, medida considerada extrema. Com o compartilhamento de risco, o sistema Unimed busca reorganizar a rede e reduzir o impacto para os beneficiários.