Internações por apendicite aguda crescem 84,4% em dez anos
As internações por apendicite aguda registradas na saúde suplementar brasileira cresceram 84,4% entre 2016 e 2025, passando de 27,7 mil para 51,1 mil. No mesmo período, o número médio de beneficiários de planos médico-hospitalares aumentou cerca de 9%. Com isso, a frequência de internações passou de 57,6 para 97,2 registros por 100 mil beneficiários, um aumento de 68,8%. Os dados são do novo estudo “Apendicite Aguda na Saúde Suplementar Brasileira: Evolução das Internações entre 2016 e 2025”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Clique aqui para o download do estudo ou acesse: www.iess.org.br.
O crescimento foi especialmente acentuado em 2025. Depois de relativa estabilidade entre 2022 e 2024, o número de internações aumentou 29,3% em apenas um ano, passando de 39,5 mil para 51,1 mil. O movimento foi concentrado nos registros classificados como K35.9, categoria da CID-10 referente à apendicite aguda sem outra especificação: eles representaram 94,5% do aumento registrado entre 2024 e 2025.
“O estudo olha para uma população de mais de 52 milhões de beneficiários. É um recorte da saúde suplementar, claro, mas um crescimento dessa magnitude chama a atenção e levanta uma pergunta: será que estamos vendo o mesmo movimento no restante do sistema de saúde brasileiro?”, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS.
O aumento das internações, porém, não significa necessariamente que a ocorrência da doença tenha crescido na mesma proporção. O estudo trabalha com internações registradas e não com a incidência da apendicite na população. Além disso, mudanças na codificação, na composição das operadoras, na completude ou no processamento dos registros podem influenciar as comparações ao longo do tempo.
Adolescentes apresentam maior frequência de internações
A idade é outro dado que chama a atenção. Em 2025, a maior frequência foi observada entre beneficiários de 15 a 19 anos, com 156,2 internações por 100 mil beneficiários. Entre 20 e 29 anos, foram 137,8 por 100 mil e, entre 30 e 39 anos, 117,2. A frequência diminuiu progressivamente nas faixas etárias seguintes.
Nas faixas etárias mais avançadas, entretanto, o perfil é diferente. Apesar da menor frequência de internações, os indicadores assistenciais são mais elevados. Entre os beneficiários com 80 anos ou mais, o tempo médio de permanência hospitalar chegou a 5,1 dias e 18,1% das internações envolveram utilização de UTI. Considerando todas as idades, esse percentual foi de 1,2%.
“A apendicite aparece com mais frequência entre os jovens, mas é nos idosos que a internação tende a exigir mais recursos. Aos 80 anos ou mais, quase uma em cada cinco internações teve utilização de UTI”, destaca Vianna.
Outro dado ajuda a mostrar o perfil assistencial: 82,6% das internações analisadas em 2025 foram classificadas como atendimentos de urgência ou emergência. O tempo médio de permanência foi de dois dias, com mediana de um dia. A técnica cirúrgica pôde ser identificada em 76% das internações e, entre esses registros, 78,8% apresentaram procedimento por videolaparoscopia. Já a análise das despesas, após o tratamento dos registros potencialmente inconsistentes, apontou uma mediana de aproximadamente R$ 5,3 mil por internação.
“O dado de 2025 chama a atenção de modo especial. Precisamos acompanhar os próximos anos para entender se esse crescimento vai se manter e investigar melhor o que está por trás dele”, afirma Vianna.